Evoland e a evolução do vídeo game

Evoland e a evolução do vídeo game

Origem e desenvolvimento

Muitas pessoas têm realizado críticas ao jogo Evoland, mas o problema é que não vejo sequer um humano desses se dar ao trabalho de pesquisar a respeito da criação e lançamento dessa obra. Por este motivo, vou falar um pouco sobre o processo de criação ANTES de falar sobre o jogo, em si.

Evoland é um jogo que foi idealizado e desenvolvido inicialmente por um jovem engenheiro de softwares francês chamado Nicloas Cannasse que, apesar da sua pouca idade, é responsável pelo desenvolvimento de uma linguagem de programação “open source” muito inovadora chamada Haxe, a qual baseia-se no cruzamento de plataformas, ou seja, um programa que trabalha com diversas linguagens em um só lugar e pode ser lido em diversas plataformas. Vocês devem estar se perguntando o que isso tem a ver com o jogo,a gente precisa entender que isto facilita E MUITO a vida de criadores de jogos e aplicativos.

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Imagem da primeira versão de Evoland, apresentada no 24º Desafio Lundum (2012)

Enfim, foi usando esta linguagem que Cannasse resolveu participar do 24º desafio de criação de jogos, realizado pela comunidade Lundum Dare, no qual os participantes deveriam desenvolver um jogo desde seu rascunho em um fim de semana, baseados em um tema lançado pela comunidade. Uma vez apresentado o jogo nesta comunidade, ele é jogado pelos membros e fortemente criticado em seis aspectos: diversão, fluidez, inovação, humor, gráficos e áudio.

Cannasse, em 2012, desenvolveu um protótipo de Evoland para o desafio e teve seu jogo muito bem criticado, motivo pelo qual conseguiu a primeira colocação em geral (overall) e segundo lugar em adequação ao tema, que deveria ser relacionado ao conceito de evolução (Evolution). Nem mesmo Nicolas imaginava que seu jogo teria tamanha aceitação entre as pessoas, tanto que postou em seu blog, no dia 29 de agosto do mesmo ano: On Sunday night when I went bed at 4am, tired but satisfied by the game I built in 48 hours for the 24th Ludum Dare, I was not expecting that the next day it will be such a success.”

Com certeza Evoland abriu portas para este jovem desenvolvedor e, no mesmo ano, Nicolas forma uma parceria com o experiente comunicador Sebastian Vidal para a criação da empresa ShiroGames, com base na centenária cidade de Bordeaux, na França. Voltada para a criação de indiegames (vídeo games independentes) esta empresa tem conseguido um bom espaço no mercado e, hoje, Cannasse vê sua obra inicial melhorada por uma pequena equipe à disposição na conhecida rede de comercialização de jogos Steam.

O jogo

Evoland é um jogo muito carismático que, com sua simplicidade, oferece uma boa diversão tanto para jovens iniciantes como para jogadores mais experientes por reunir puzzles com referências diretas à games clássicos como Zelda, Final Fantasy, Dragon Quest, Diablo e outros, resultando em uma enorme satisfação para os gamers de plantão com suas paródias à estes clássicos.

O jogo consiste em apresentar a evolução dos jogos de RPG/Aventura, por meio da história do herói Clink (uma clara referência ao nosso querido Link, de Zelda) que é um dos Cavaleiros da Ordem do Dragão e tem como objetivo viajar pelo mundo para ajudar os necessitados e combater o mal.

O mais interessante é que o jogo é tem início simulando a emulação 8-bits de um Game Boy sem som e com movimentação limitada e, para que os gráficos e a história avancem, você precisa encontrar baús com “atualizações”. Dessa forma, o jogo vai “evoluindo” em cores, som, gráficos e jogabilidade até atingir o nível 3D, que conhecemos hoje. É um jogo que promove uma jornada sobre a História dos Games e sua evolução conforme o desenvolvimento da tecnologia. Uma boa sacada, né?

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“Screen” da evolução dos gráficos

Conforme o jogo se desenvolve, Clink acaba encontrando uma companheira de aventura chamada Kareis – e de antemão, peço desculpas mas não consegui encontrar a referência direta desta personagem.

De forma clara, podemos notar que a maior influência do jogo vem da conhecida série Zelda, pela dinâmica de interação, inventário e até mesmo sons (a liberação de puzles e baús é igual ao do Zelda!). Contudo, o jogo não fica em só um tipo de jogabilidade e, aos poucos vai avançando para o estilo de batalha de Dragon Quest, Final Fantasy e, posteriormente Diablo.

Estou tentando não ser muito “spoiler” do jogo, mas é preciso dizer que ficou muito legal a experiência de liberar diversas formar de jogar, interagir com o cenário e NPC´s (non-player character) e até mesmo brincar com o mini-game de cards na cidade natal de Kaeris.

Suas referências parecem infindáveis e é impossível não notar uma certa similaridade gráfica entre o grande vilão Zephyros e a misteriosa Sheik (que alguns de vocês devem saber quem realmente é) presente em Zelda: Ocarina of Time, ou mesmo partes do jogo que lembram a batalha épica de Link contra o malévolo Ganondorf.

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Comparação entre os personagens Sheik (Zelda) e Zephiros (Evoland)

De qualquer forma, Evoland é um jogo bem humorado que parece ser feito com o coração por amantes deste estilo de aventura e, por este motivo, soa tão cativante, Mas isso não quer dizer que ele não seja passivo de alguns pontos negativos, como os problemas na fluidez dos movimentos ou a falta de possibilidade de ações quando muda para uma paródia do Diablo. Algo que trás a ideia de um trabalho que deixou a desejar na parte da finalização e nos faz perder um pouco de toda aquela empolgação que tínhamos durante o início. Mas para um jogo que foi criado durante um final se semana, o resultado foi muito bom! 🙂

Pra finalizar

Evoland é um trabalho fantástico que revela um belo desenvolvimento para a indústria dos games indies, por demonstrar que é possível fazer um bom jogo sem que seja necessário o orçamento de uma Activision ou Blizzard. Além disso, o jogo revela um grande cuidado de seu criador com relação às referências feitas sobre jogos antigos e, por este motivo, pode propiciar algumas horas de prazer para os que se aventurarem a conhecê-lo.

Até mais!

PaleoNerd

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About the Author

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Me chamo Denis e sou professor de História. Concluí minha Graduação em Licenciatura em História na Universidade Estadual Paulista – UNESP, Câmpus de Assis-SP em 2009. Em 2014 concluí minha Especialização em Educação, Arte e Multimeios pela Unicamp. Atuo na área desde 2010, ministrando aulas para o Ensino Fundamental, Ensino Médio, Cursos Pré-Vestibulares, assim como, palestras e oficinas para jovens e adultos.

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