Esporte, paixão, consumo e lucro

Esporte, paixão, consumo e lucro

Muitas pessoas se alegram em ver apresentações esportivas em grandes estádios e sentir aquele frio na barriga ao fazer parte das conhecidas “olas” e gritos de torcida. Entretanto, o que muitos não sabem é que a ideia que temos hoje sobre os esportes foi desenvolvida durante a década de 1920! A década que precedeu a Crise de 1929 foi marcada por um grande desenvolvimento econômico para os norte-americanos, devido os enormes lucros advindos da 1ª Guerra Mundial. Como?
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Imagem de uma partida de beisebol, década de 20.

Os EUA não sofreram nenhum ataque em seus territórios e somaram enorme quantia de lucros ao fornecer produtos básicos para os europeus durante este período. Tanto que, ao fim da guerra, este país se transformou na mais poderosa economia mundial e, consequentemente, no maior credor, uma vez que vendeu muito “a fiado” para seus companheiros de guerra. Inclusive, alguns historiadores como Eric Hobsbawn, afirmam que a participação norte-americana na guerra foi, em grande parte, motivada pelo interesse em assegurar que estas dívidas fossem efetivamente quitadas durante o período após a guerra.
Certo. Voltando ao assunto, todo este processo que levou ao crescimento econômico norte-americano impulsionou uma poderosa onda de consumo e os grandes empresários descobriram nas ligas  universitárias de esportes uma grande possibilidade obter lucros significativos através dos ingressos que passaram a ser cobrados para assistir aos jogos.
Ligas oficiais foram formadas para cada esporte e as competições passaram a ser mais acirradas, impulsionando a gana do torcedor em acompanhar seu time do coração. Grandes investimentos de marketing criaram o que hoje conhecemos como “torcida oficial”, já que a ideia era que houvesse uma fidelização entre o time e o torcedor, como um compromisso de assistir aos jogos, uma honra vestir as cores do time.
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Partida de futebol americano, década de 20.

Assim, a população que se identificava com o time local passou a acompanhar os jogos tanto locais quanto em outras regiões, adquirir camisas, flâmulas, para levar nos dias de jogos. Este tipo de novo consumo alavancaria lucros para investimento no próprio time, melhorias nos estádios, estimulando novos patrocínios, fazendo a roda deste novo nicho mercadológico girar. Hoje sabemos que o esporte, principalmente o futebol no caso do Brasil, é uma potência financeira com muitos investidores e muito lucrativa; afinal quando se trata de paixão não há questionamentos sobre preços…Sacou? hahaha
Algo que ganhou ainda mais força com o destaque dos esportes foi o rádio que teve sua patente inicialmente registrada por Nikola Tesla e posteriormente pleiteada por Marconi em 1920. Daí em diante, o esporte coletivo se transformou em assunto obrigatório, com partidas inteiras narradas e tabelas impressas nos jornais, que debatiam escalações e estratégias de jogo – qualquer semelhança com os dias de hoje, não é mera coincidência! haha
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A partir de então, houve uma transformação na qual os pequenos estádios regionais foram transformados em verdadeiras arenas para milhares de pessoas e a torcida pelo esporte passou a ser considerada parte do “American way of life”.
Até mais,
PaleoNerd

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About the Author

PaleoNerdMe chamo Denis e sou professor de História. Concluí minha Graduação em Licenciatura em História na Universidade Estadual Paulista – UNESP, Câmpus de Assis-SP em 2009. Em 2014 concluí minha Especialização em Educação, Arte e Multimeios pela Unicamp. Atuo na área desde 2010, ministrando aulas para o Ensino Fundamental, Ensino Médio, Cursos Pré-Vestibulares, assim como, palestras e oficinas para jovens e adultos.

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