Maquiavel: de teórico absolutista à herói de videogame!

Maquiavel: de teórico absolutista à herói de videogame!

Retrato de Maquiavel, pintado por Santi di Tito (1536 — 1603)

Retrato de Maquiavel, pintado por Santi di Tito (1536 — 1603)

O historiador, poeta, diplomata e músico  italiano Niccolò di Bernardo dei Machiavelli (mais conhecido simplesmente por Nicolau Maquiavel) viveu entre a segunda metade do século XV e primeira metade do XVI  e foi responsável por uma das mais importantes obras políticas deste período: “O Príncipe”.
Este autor é considerado parte de um grupo que é definido pelos historiadores como TEÓRICOS ABSOLUTISTAS, pois o tema destes trabalhos terminou por impulsionar e legitimar o poder centralizador e inquestionável dos reis que governaram durante a Era Moderna e fez parte de um sistema social que ficou determinado como Antigo Regime.
Foto de raríssima edição de O Príncipe, em ingles, datada de 1640.

Foto de raríssima edição de O Príncipe, em ingles, datada de 1640.

Em “O Príncipe”, Maquiavel elaborou um tipo de manual de governo que, por muitos acaba resumido na frase “os fins justificam os meios”. Todavia esta é uma perspectiva superficial acerca desse trabalho, no qual o escritor afirma que existiriam duas formas de se atingir um governo:
Uma maneira seria por meio da VIRTUDE, na qual o governante atinge o poder como resultado de seu esforço e a outra forma seria pela FORTUNA (em clara referência à deusa romana da sorte) na qual o dirigente seria empossado sem precisar lutar pelo seu lugar. Por este ângulo, o governo virtuoso tenderia a ser duradouro, enquanto o segundo poderia ser derrubado sem demora.

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Legenda: Estátua da deusa romana Fortuna, que fica no Vaticano. A Fotografia é parte do acervo do Brooklyn Museum. À esqueda podemos ver a cornucópia e o timão em sua outra mão.

A referência à deusa que carrega a cornucópia (chifre que simboliza a abundância) e um timão (parte do barco utilizada para direcionar seu trajeto) e, por este motivo, pode alterar o destino dos humanos como bem entender nos ajuda a perceber uma importante característica do intelectuais do Renascimento Cultural. A revalorização da cultura greco-romana, foi parte deste período histórico e está presente em outras obras icônicas como “Elogio à loucura”, de Erasmo de Roterdã e a “Divina Comédia”, de Dante Alighieri.

De qualquer forma, Maquiavel alerta, em seu “manual”, para o bom e o mau uso da crueldade, como instrumentos para governar. Motivo pelo qual afirma ser necessário atingir um equilíbrio sobre estas ações, já que um governante muito bondoso não conquistaria o respeito da população (que o desafiaria e desrespetiraria), enquanto um governante cruel demais terminaria por enfrentar revoltas de seus súditos, devido medidas excessivas.
Maquiavel, desta forma, se transformou em uma grande influência para diversos personagens históricos que (bem ou mal) tentavam interpretar seus “conselhos”. Como foi o caso de Napoleão, que costumava levar em todas campanhas uma cópia do livro.
Podemos, até mesmo, encontrar uma referência a este autor no conhecido jogo Assassins Creed II – Brotherhood, no qual este intelectual é transformado em membro de um grupo de assassinos e um grande combatente com a espada.No jogo, Maquiavel é parte desta corporação de assassinos que agem de forma sorrateira para trazer justiça à Itlália Renascentista.
Print do jogo Assassin Creed Brotherhood, que apresenta Maquiavel (à direita), em dialogo com o protagonista Ezio.

Print do jogo Assassin Creed Brotherhood, que apresenta Maquiavel (à direita), em dialogo com o protagonista Ezio.

Neste sentido, o momento mais interessante do jogo se dá pela animação em computação gráfica que coloca o protagonista Ezio em conversa com Maquiavel, após o jogador ter realizado a missão de unir os bandos de salteadores e mercenários sob a sua liderança. Neste momento, Maquiavel interroga Ezio sobre como ele foi capaz de realizar tal feito e o último responde: “É a virtú, Maquiavel. A virtú!”. (virtude)
Com isso, os autores do jogo brincam com um importante conceito de Maquiavel que, na visão do roteiro, teria sido influenciado a escrever sua obra, após ter conhecido o protagonista. Estas brincadeiras com fatos e conceitos históricos são características bem presentes por todo o jogo, portanto, se você quer MESMO entender Assassins Creed, te aconselho a dar uma boa lida na apostila sobre o Renascimento Comercial e Cultural da Europa. Desta forma, a interpretação de todo o jogo ficará mais rica e interessante para o jogador!
Um abraço,
PaleoNerd

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PaleoNerd

Me chamo Denis e sou professor de História. Concluí minha Graduação em Licenciatura em História na Universidade Estadual Paulista – UNESP, Câmpus de Assis-SP em 2009. Em 2014 concluí minha Especialização em Educação, Arte e Multimeios pela Unicamp. Atuo na área desde 2010, ministrando aulas para o Ensino Fundamental, Ensino Médio, Cursos Pré-Vestibulares, assim como, palestras e oficinas para jovens e adultos.

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