5 inovações tecnológicas da Idade Média

5 inovações tecnológicas da Idade Média

Conhecida como “a virada do milênio”, a transição entre os séculos X e XI na Europa, foi marcada pela introdução e novas tecnologias que são consideradas revolucionárias pelos historiadores e antropólogos. Importantes para a ampliação de áreas cultivadas e, consequentemente, da capacidade de produção agrícola. Estas técnicas e ferramentas mudaram completamente o panorama da vida dos homens medievais e favoreceram o crescimento populacional, assim como a retomada de práticas comerciais, realizadas em insurgentes feiras locais.

Alguns séculos depois, a produção de excedentes agrícolas já movimentaria pequenos centros comerciais fortificados, que recebiam a denominação latina deburgus” que, no latim, significa pequena fortificação. Neste sentido, os comerciantes que viviam nestes espaços viriam a serem conhecidos como burgueses.

Veja agora algumas explicações sobre estas “novidades” medievais. Vamos lá:

1) ARREIOS

Também denominado arnês, o arreio se refere à toda a estrutura que é vestida no cavalo, de forma a permitir a montaria, assim como atrelar carroças e instrumentos que dependessem da tração gerada por este animal. Desta forma, a principal inovação do arreio decorreu do fato deste instrumento impedir que o animal viesse a quebrar o pescoço, enquanto estivesse realizando a força de tração.

Esquema gráfico para utilização do arreio

Esquema gráfico para utilização do arreio

Até então, era preciso manter dois ou mais bois para auxiliarem nos trabalhos de rotina do campo, mas, com esta inovação, o homem medieval precisava manter os pesados gastos de apenas um animal que servisse tanto para o transporte como para o duro trabalho rural.

2) CHARRUA DE FERRO

Até a virada do milênio, a grande forma encontrada pelo homem para sulcar a terra e, assim poder cultivá-la, se dava por meio um instrumento rudimentar, chamado arado. O problema do arado é que a ponta de madeira que ficava em contato com o solo muitas vezes quebrava durante o processo de aragem da terra ao passo que exigia uma força muito maior para a realização do trabalho. Ainda assim os resultados não eram muito satisfatórios, já que como o sulco na terra não era suficientemente profundo, muitos animais (aves e roedores) acabavam por comerem as sementes e, com isso, contribuírem para uma diminuição na produção. A charrua, por sua vez, tinha uma lâmina de ferro que rasgava o solo com maior força, deslizava sobre o solo com maior facilidade e proporcionava sulcos mais fundos, permitindo uma semeadura mais eficiente e assim, aumento da produção agríciola.

charrua de ferro

Diorama (cena representativa do cotididano de determinada época) exposto Museu de Ciência da Inglaterra e representa um grupo de camponeses que usam os arreios e uma charrua para preparar a terra.

charrua

No terceiro capítulo da terceira temporada (ou S03e03 para os Nerdológicos) da série Vikings a personagem Earl Lagherta recebe uma charrua como oferta de amizade do Rei Ecbert, Inglaterra!!!

P.S.: A série Vikings, disponível no Netflix, é um exemplo de audiovisual que pode ter sua interpretação imensamente enriquecida com o conhecimentos de História. ENTÃO CRIA VERGONHA NA CARA E DÁ UMA LIDA NO LIVRO/APOSTILA, ANTES DE VER, OK!!! Você vai entender muito mais e aposto que vai ficar ainda mais legal de acompanhar. 😉

charrua

Série Vikings – Earl Lagherta ganha uma charrua!

Para termos uma ideia da importância desse material, o conhecido historiador brasileiro Hilario Franco Jr. escreveu em sua obra Idade Média: O Nascimento do Ocidente que este talvez tenha sido o maior desenvolvimento tecnológico da época, uma vez que possibilitou um substancial aumento na produção. Fato que contribuiu para a produção de excedentes e todo o consequente processo, que já citei no início do texto.

3) Rotação trienal das culturas

Esta forma de produção buscava preservar o solo por meio da divisão das zonas de cultivo em três partes, nas quais apenas duas deveriam produzir diferentes variedades, enquanto a terceira permaneceria em descanso. Desta maneira, esta técnica ajudava a reduzir a possibilidade de exaustão do solo e manter certa produtividade.

4) Estribos

Apesar de não parecer, o estribo é um dos componentes fundamentais para a realização da montaria de cavalos. Esta peça, feita em ferro ou aço, fica presa na lateral da sela por uma tira de couro (denominada loro) e serve para dar equilíbrio ao montador, assim como para dar o impulso na hora de montar o animal. Se não fosse isso, os cavaleiros ficariam em uma situação digna de comédia pastelão, em inúmeras tentativas de montar!

estribos

Estribo medieval de ferro datado do Século XIV. Fonte: https://finds.org.uk/images

P.S. 2: Uma curiosidade é que muitas pessoas ainda acreditam que você deveria sempre montar o animal pelo lado esquerdo para não o machucar e nem o irritar. Entretanto, este é apenas um mito e o real motivo de haver um lado para montar resulta de regras militares para evitar confusão na hora de montar os animais, em batalhões de cavalaria.

5) Moinhos

Apesar de ser uma tecnologia conhecida desde a Antiguidade, foi durante o período da virada do milênio que esta importante “máquina” (apesar de não ser 100% correto usar este termo) ganhou os campos da Europa feudal. Estas estruturas redirecionam forças (do vento, da água ou tração animal) para a realização de um procedimento mecânico como moer, rolar ou bater. Os moinhos eram utilizados por camponeses e artesãos para acelerar o processo de beneficiamento agrícola (moer, descascar, triturar os grãos) e foram responsáveis por grande aumento da produtividade.

moinhos

Iluminura de livro medieval que representa um moinho de água. Fonte: http://www.medievalhistories.com/water-landscapes/

A superfície das pedras de moinhos apresenta sulcos e ranhuras que servem como canais para movimentar a farinha e deixá-la uniforme. Estes baixo-relevos são chamados de harpas e uma típica pedra de moinho costuma apresentar seis, sete ou até dez harpas que, quando encaixados em duas pedras, realizavam a função de esmagar em uma espécie de “movimento de tesouras” – por este motivo, as pedras precisavam ser “afiadas” periodicamente.

moinhos 2

Pedras de moinho e seus sulcos (harpas) encontradas no sítio arqueológico de Peak Distric Millstone, na Inglaterra, onde ficava uma manufatura medieval destas pedras. Fonte: http://www.peakdistrict.gov.uk/__data/assets/image/0007/483145/Banner-Millstones.jpg

 

Para se ter uma ideia de como esta estrutura era importante neste período, historiadores do Arquivo Nacional de Londres estimam que existiam cerca de 6000 moinhos apenas na Inglaterra – número que, durante o século XIV, multiplicou-se para 10.000 a 15.000 unidades!

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Pedra de moinho contemporânea, com ranhuras e sulcos. Fonte: http://richmondrockscapes.com/wp-content/gallery/millstones/millstone-1.jpg

Hoje em dia, essas pedras, são muito valorizadas por seu caráter decorativo (afinal, quem ainda tem um moinho?) e muitas pessoas compram essas peças com esta finalidade, chegando a pagar quantias exorbitantes por elas – é pra quem pode, minha gente! uhauhauha Geralmente são compostas isoladas ou empilhadas em esculturas. Então se você passar por algum lugar e se deparar com essas “rodas de pedra”, já sabem de onde vêm e não são objetos deixados por alienígenas! uhauhauha

aliens

Um abraço, cabeçudinhos! o////

PaleoNerd

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Me chamo Denis e sou professor de História. Concluí minha Graduação em Licenciatura em História na Universidade Estadual Paulista – UNESP, Câmpus de Assis-SP em 2009. Em 2014 concluí minha Especialização em Educação, Arte e Multimeios pela Unicamp. Atuo na área desde 2010, ministrando aulas para o Ensino Fundamental, Ensino Médio, Cursos Pré-Vestibulares, assim como, palestras e oficinas para jovens e adultos.

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