Pançudinho e poderoso!!

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Você conhece a o “Escriba Sentado”?

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Esta é uma obra que faz parte da exposição permanente do Museu do Louvre e foi encontrada nas tumbas de Saqqara, com datação de aproximadamente de 2400 a.C. Uma informação muito “DA HORA” para nós, porque a profissão do escriba, na sociedade egípcia, era entendida como fundamental para o perfeito funcionamento da sociedade e do aparelho estatal, já que a escrita tinha função de auxiliar na burocracia administrativa, registrar atos governamentais, o cultos realizados para os deuses e, é claro, a tão cultuada História dos Faraós.

Hierógliphos egípcios, uma forma de escrita especial, utilizada principalmente para o registro da História dos faraós e membros da elite.

Hieróglifos egípcios fazem parte de uma forma de escrita especial, utilizada principalmente para o registro da História dos faraós e membros da elite.

Mas, o que poucos sabem é que a escrita heroglífica era utitlizada somente para a realização de registros relacionados à história religiosa e de feitos ligados à aristocracia egípcia. No dia-a-dia, era utilizada uma outra escrita muito mais simples e prática, chamada demótico , que servia também para realizar registros matemáticos, atronômicos e arquitetônicos.

Escrita demótica, encontrada no sítio arqueológico de  Gebel el-Silsila, Egito.

Escrita demótica, encontrada no sítio arqueológico de Gebel el-Silsila, Egito.

Esta forma de escrita era aplicada para a formulação de documentos menos importantes (como receitas médicas, cartas entre pessoas comuns e cálculos matemáticos) e serviu como meio de comunicação eficiente dentro das movimentadas cidades egípcias. Futuramente o demótico foi utilizado para a elaboração do antigo livro didático sobre matemática que conhecemos. Foi por meio do demótico, que os gregos tiveram contato com o conhecimento matemático egípcio, o qual influenciou o desenvolvimento desta ciência em períodos posteriores.

Os olhos de magnesita esculpida, polida e truncada com cristal. Uma técnica muito refinada que marca esta obra.

Os olhos de magnesita esculpida, polida e truncada com cristal. Uma técnica muito refinada que marca esta obra.

Também conhecida como o escriba do Louvre esta estátua chama a atenção já de inicio pela postura na qual o homem apoia o papel sobre sua saia, mas o mais interessante é o seu rosto no qual os olhos foram esculpidos em carbonato de magnésio e truncados e inseridos de forma muito cuidadosa. Posteriormente, o artesão egípcio realizou o polimento  na frente do cristal e introduziu um material organico na parte de trás da pedra, para conferir a coloração da íris dos olhos, e fixou as peças com soquetes de cobre soldados na parte de trás.

A magnesita é utilizada como catalizador em processos químicos e como componente na produção de medicamentos, fertilizantes  e até na produção de borracha. Este material pode ser encontrado tamvém no Brasil, na Serra das Éguas, Brumado (Bom Jesus dos Meiras), Bahi.

A magnesita (carbonato de magnésio) é utilizada como catalizador em processos químicos e como componente na produção de medicamentos, fertilizantes e até na produção de borracha. Este material pode ser encontrado também no Brasil, na Serra das Éguas, Brumado (Bom Jesus dos Meiras), Bahia.

Em 1998 a estátua passou por um processo de limpeza e restauro que consistiu em retirar um pouco da espessa camada de cera que envolvia esta obra, mantendo-a protegida do tempo por milênios. As cores são originais e deixam evidente a importância dada pelos antigos egípcios para este acabamento nas obras, assim como nos ajuda a quebrar um pouco com essa ideia de que as obras da antiguidade não eram pintadas. Os povos da antiguidade, assim como nós, sempre gostaram de roupas, prédios e objetos coloridos!

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Detalhe das mãos do escriba do Louvre, que seguram o papiro, apoiadas sobre o saiote. Fonte: Wikimedia

 Segundo o proprío site do Museu do Louvre, esta figura deveria ter uma base com o nome e títulos da pessoa por ela representada. Uma importante informação que se perdeu no tempo e, de forma curiosa, foi um infortúnio que atingiu  também o trajeto histórico dos trabalhos da equipe de arqueólogos que a encontrou. Após a descoberta da estátua, em 1850 pelo arqueólogo francês Auguste Mariette, todos os relatórios, revistas e mapas da escavação foram perdidos entre a França e o Egito – levando consigo a localização exata do sítio arqueológico. Fato que foi agravado pelas pilhagnes e saques realizados no próprio local das escavações, em períodos posteriores.

Fonte da imagem: Flickr

Fonte da imagem: Flickr

Por estes motivos, não se sabe dizer quem seria o personagem representato nesta estátua, mas a datação de carbono 14 sugere que seja de aproximadamente 4500 anos atrás, Mas, de qualquer forma, sabemos que os escribas ocupavam função de enorme destaque e, por este motivo, recebiam homenagens como estas para os acompanharem na vida além túmulo.

Fonte: Museu do Louvre 

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PaleoNerdMe chamo Denis e sou professor de História. Concluí minha Graduação em Licenciatura em História na Universidade Estadual Paulista – UNESP, Câmpus de Assis-SP em 2009. Em 2014 concluí minha Especialização em Educação, Arte e Multimeios pela Unicamp. Atuo na área desde 2010, ministrando aulas para o Ensino Fundamental, Ensino Médio, Cursos Pré-Vestibulares, assim como, palestras e oficinas para jovens e adultos.

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