Pra animar: Le jour des Corneilles – animação

Pra animar: Le jour des Corneilles – animação

Bom, meus caros cabeçudinhos, hoje gostaria de compartilhar com vocês uma ótima dica de animação!

Quando falo de animação, normalmente vocês costumam logo pensar nos desenhos da Disney, com aquelas princesas e animais silvestres, cantando alegremente pela floresta. Mas, para mim, a animação é um conceito muito mais amplo e que se refere à diversas formas que o ser humano desenvolveu para criar ilusões que dêm vazão ao fabuloso universo que marca nosso imaginário.

Com forte embasamento referencial nas fábulas europeias, Le Jour des Cornelies joga com ilusões zooantropomóficas.

Com forte embasamento referencial nas fábulas europeias, Le Jour des Cornelies joga com ilusões zooantropomóficas. FONTE: Umedia.eu

Além disso, a prática de animar é algo que nos deixa fascinados há muitos séculos e, segundo alguns especialistas nesta área (como Alberto Lucena Júnior), podemos perceber tentativas de representar o movimento desde as pinturas rupestres, dos homens paelolíticos. Portanto, começem a abrir suas cabecinhas para produções diferentes, porque cada lugar apresenta uma forma diferente de contar histórias com auxílio desta técnica audiovisual.

Em outro momento, mais oportuno, vou escrever um artigo falando sobre as diversas técnicas de animação que existem – com mais calma – mas, para agora, basta entender que o desenho animado é uma dentre as variadas formas que encontramos de animações pelo mundo. E, hoje, quero apresentar à vocês a animação belga: LE JOUR DES CORNEILLES!

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Le Jour des Corneilles consta como o último trabalho do qual participou Claude Chabrol, que é considerado um dos fundadores do movimento artístico cinematográfico denominado Nouvelle Vague. Tido como um divisor de águas na história do cinema, este movimento trouxe grandes inovações a partir da ideia de que o cineasta, assim como um escritor, faz uso da câmera para “escrever” sua história. A partir de então, este grupo formado por críticos de cinema que resolveu passar da teoria à prática e trouxe enormes influências para a técnica cinematográfica no mundo.

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Ao lado de seu inseparável cachimbo, Claude Chabrol não conseguia ficar longe do esquipamentos cinematográfico. FONTE: The PLaylist

Uma vez explicado um pouco sobre a relevância da presença de Chabrol na película, podemos passar para a obra que é uma adaptação baseada no conto do canadense Jean-Claude Bauchemin que foi publicado em 2005 que resultou num trabalho complexo e dotado de elaborada técnica que toma por base os clássicos métodos de desenho manual, acompanhados de edição e interpolação em múltiplo planos com auxílio da tecnologia digital.

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Capa do livro que deu origem à animação. FONTE: Greniera Livres

Lançado em outubro de 2012, este audiovisual é o segundo longa-metragem dirigido por Jean-Christophe Dessaint, o qual é conhecido pela hilária série de animação “Oggy e as Baratas”  (Oggy et les cafards) e pela fantástica adaptação dos quadrinhos “O gato do Rabino” (Le chat du rabbin), criado por Joann Sfar.

artoff6773Apesar da inegável influência do olhar cinematográfico de Chabrol, Dessaint procurou se aproximar mais das descrições geográficas de Bauchemin e, com isso, estabelecer um estilo mais original. Desta forma, pôde contar com auxilio da roteirista Amadine Taffin e trazer aspectos generalizados de uma França rural do início do século XX amalgamados aos devaneios atemporais, tão característicos das fábulas.

Poster especial de "O Gato do Rabbin", baseado no HQ homônimo. FONTE: Alliance Française d´Adelaide

Poster especial de “O Gato do Rabbin”, baseado no HQ homônimo. FONTE: Alliance Française d´Adelaide

Neste sentido, a animação faz uso de explanação digressiva para contar a historia de Courge um triste homem bruto, que luta para criar seu filho em meio a uma floresta e mantê-lo distante de quaisquer outros humanos.  Contudo, o jovem encontra o conforto do carinho nas silenciosas relações que desenvolve com seres antropozoomórficos vindos do “outro mundo” – dentre eles a sua mãe, que apresenta a cabeça de um veado. Em meio aos rudes tratos do pai, o filho se vê entre a admiração por seu pai e o constante diálogo que trava com os seres do “outro mundo”.

Amandine Taffin, trabalha na criação do Storyboard da animação.

Amandine Taffin, trabalha na criação do Storyboard da animação.

Este fato, para alguns críticos tornaria esta animação próxima das obras de Hayao Myasaki, com o que não concordo muito  pois, na verdade, o que leva esta animação a ser comparada às produções do Studio Ghiblli, baseia-se no fato de o background ser pintado à mão com uma paleta de cores muito vivas. As representações de personagens de Myasaki são focadas em transformar diversas partes estáticas do cenário em personagens com características muito próprias.

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De qualquer forma, um acidente força o pequeno garoto a buscar socorro médico no vilarejo próximo da floresta. A partir de então, este jovem conhecerá o sábio “Doutor”, interpretado por Chabrol e sua bela filha Manon, com quem passa a desvendar o passado de seu pai.

Jean Reno e Nathalie Portman, no fantástico filme "Léon: the professional" FONTE

Jean Reno e Nathalie Portman, no fantástico filme “Léon: the professional” FONTE

Esta história exige do público atenção para desvendar toda a complexidade de seu enredo e, somente então, dar sentido aos ocorridos caóticos que marcam esta fábula maravilhosa. Em meio a isso, o público pode desfrutar de uma bela trilha sonora orquestrada e, assim, curtir a doce metáfora da necessidade do convívio social fraterno e do amor na vida das pessoas.

Trilha por Benoit Dal

Trilha por Benoit Dal.

Na posição de uma verdadeira obra de arte, Le Jour des Corneilles  é uma animação que pode ser adicionada à sua lista para ver com a família. Com uma história profunda e um trabalho de imagens cuidadoso, este audiovisual fica, para mim, como uma da melhores – se não A melhor, revelações do ano de 2012. Infelizmente, o cinema de animação europeu ainda não conseguiu adentrar pelo espaço comercial brasileiro mas estamos a torcer para que este tipo de barreira se desfaça de vez com o tempo.

Acompanhem abaixo o documental que mostra a construção desta animação (em francês, mas dá pra entender com um pouco de atenção):

Um abraço,

Tio PaleoNerd

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PaleoNerd

Me chamo Denis e sou professor de História. Concluí minha Graduação em Licenciatura em História na Universidade Estadual Paulista – UNESP, Câmpus de Assis-SP em 2009. Em 2014 concluí minha Especialização em Educação, Arte e Multimeios pela Unicamp. Atuo na área desde 2010, ministrando aulas para o Ensino Fundamental, Ensino Médio, Cursos Pré-Vestibulares, assim como, palestras e oficinas para jovens e adultos.

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