Brasil da Holanda (1637-1644)

Brasil da Holanda (1637-1644)

Esta semana, a Bliblioteca Nacional, deixou em sua página uma principal em homenagem aos 411 anos do nascimento do Conde Maurício de Nassau (Johan Maurits van Nassau-Siegen – 1604-1679). Por causa desta ideia, resolvi dar uma olhada no documento de 1660 “MAVRITII, NASSOVIAE, &tc. COMITIS. Rerum per octennium in Brasilia et alibi gestarum” (MAURÍCIO DE NASSAU & COMITIVA. No Brasil e em outros lugares que ele fez coisas, pelo trabalho de oito anos) que ESSA LINDA deixou lá.

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DETALHE DO PRIMEIRO MAPA PRESENTE NA OBRA. ILUSTRAÇÃO COM FLORES, VERDURAS, FRUTOS E ANIMAIS PARA TENTAR DEIXAR CLARA A RIQUEZA DAS TERRAS. FONTE:BIBLIOTECA NACIONAL

Nos mapas deste registro, podemos ver imagens cuidadosas e elaboradas, que interpretam momentos na chegada dos invasores e nos ajudam a entender de que forma como foi narrada a versão Moderna holandesa destes fatos. Nesta hora, eu PRECISO lembrar à vocês uma coisa: para Historiador, Moderno, se refere ao período homônimo, assim denominado por intelectuais positivistas franceses, que dura entre os séculos XIV e XVIII, ok?

Pintura, em retrato, de Maurice de Nassau

Pintura, em retrato, de Maurice de Nassau

Em meio a este processo, protestantes de inspiração calvinistas (denominados hungeontes) deram início a uma série de revoltas que exigiam independência do controle católico sobre o lugar. Um momento no qual o personagem histórico Casper de Cogny – sobre quem falei no post de ontem – teve participação. Neste período, o título de rei da Espanha já repousava sobre os ombros de Filipe III, que ficou conhecido pelos opositores que derrotou como “el demônio del medio dia” – termo que se refere à duas coisas: à violência com que sua armada aplacava os opositores e à vastidão do seu imperío, onde o Sol jamais se punha.

Demarcaçao do território pertencente à Filipe III, durante este período.

Demarcação do território pertencente à Filipe III, durante este período. Fonte

Em represália ao ato de sedição (tentativa de separação) dos holandeses, os espanhóis deram ordens de acabar com TODO o contato comercial que as colônias portuguesas mantinham com os flamengos – forma como eram os portugueses chamavam os holandeses. Fato que afetou diretamente o comércio exportador (de açúcar, algodão, couro, e pau-brasil), tão importante para o funcionamento econômico da colônia, já que os holandeses eram responsáveis pelo transporte destes produtos, assim como pelo refino e comercialização do açúcar.

Pintura do século XVII, do famoso pintor Diego Velazques. FONTE: WIKIMEDIA

Filipe III – Pintura do século XVII, do famoso pintor Diego Velazques. FONTE: WIKIMEDIA

Tal situação fez com que os rebeldes dos países baixos dessem início a atos de pirataria conhecidos como GUERRAS DE CORSO (termo que se refere ao título de corsário, entregues pela rainha inglesa Elizabeth I, durante a formação da marinha nacional britânica), os quais consistiam em embates navais para obtenção de terras, saques e pilhagens. Além disso, os holandeses decidiram, em 1602, criar a COMPANHIA DAS ÍNDIAS ORIENTAIS para controlar o transporte comercial no Oriente.

Prédio matriz da Companhia da Índias Orientais, em Amsterdãa, que foi transferido para a posse do governo Holandes no início do século XIX, quando a empresa foi liquidada por problemas financeiros.

Prédio matriz da Companhia da Índias Orientais, em Amsterdãa, que foi transferido para a posse do governo Holandes no início do século XIX, quando a empresa foi liquidada por problemas financeiros.

Também com intuito de monopolizar as rotas comerciais para África e América, os flamengos criaram a COMPANHIA DAS ÍNDIAS OCIDENTAIS em 1621. E foram estes homens que deram ordens para suas frotas atacarem a costa brasileira e estabelecerem o controle sobre o comércio dos portugueses. Assim, após uma tentativa frustrada de invadir a Bahia, os holandeses voltaram os canhões de 56 navios para a capitania de Pernambuco e, após 7 anos de resistência deram início ao governo da região, com a nomeação de João Maurício de Nassau-Siegen como Governador Geral.

Fachada da Companhia das Índias Ocidentais, em Amsterdã.

Fachada da Companhia das Índias Ocidentais, em Amsterdã.

A partir de então, foram tomadas diversas medidas destinadas de retomar a vida e economia da região como a concessão de créditos para a oligarquia açucareira reapalherar as propriedade e comprar escravos, amenizar conflitos religiosos com um política de tolerância religiosa, realizar reformas na infraestrutura urbanística e paisagística de Recife – com a construção de casas, linhas para bondes, obras sanitárias, jardins, calçamento e praças. Por fim, Nassau contou com a presença de uma série de intelectuais (artistas, naturalistas, médicos e astrônomos) que foram responsáveis por incentivar a produção cultural e retratar esta nova colônia. Neste grupos, podemos encontrar o nome de Frans Post, Albert Eckhout, Georg Marcgraf e Willen Piso.

Cabeçalho da carta de rei Filipe III informando o ataque de holandeses em Olinda e Recife. FONTE: Coleção Pernambuco, BIBLIOTECA NACIONAL DIGITAL

Cabeçalho da carta de rei Filipe III informando o ataque de holandeses em Olinda e Recife. FONTE: Coleção Pernambuco, BIBLIOTECA NACIONAL DIGITAL

Foram tantas mudanças que até os dias de hoje pessoas se perguntam se o modelo de colonização holandês não teria sido “melhor” para nós. Isso é uma completa ilusão, meus caros cabeçudinhos pois, apesar do desenvolvimento em algumas áreas, nós ainda éramos vistos como seres inferiores que viviam em um longínqua colônia dedicados à enriquecer os bolsos de nossos senhores. Portanto, CORTA ESSA!

Franz Post, "The Home os a 'Labrador' in Brazil" FONTE: WIKIMEDIA

Franz Post, “The Home os a ‘Labrador’ in Brazil” FONTE: WIKIMEDIA

Como já escreveu o GRANDE HISTORIADOR, Evandro Cabral de Mello, a associação entre a população da capitania de Pernambuco e seus conquistadores foi uma decisão tomada para tornar possível a reconstrução de suas terras, enquanto a coroa hispano-portuguesa decidiu manter os invasores isolados por “guerra de guerrilhas”, até que as armada espanhola pusesse fim ao conflito. Enquanto isso, os brasileiros foram capazes de manter uma comunicação entrecortada com os portugueses, furando o “bloqueio naval holandês”. De qualquer forma, Nassau foi retirado do cargo de Governador Geral em 1644 pela Companhia das Índias Ocidentais, que o acusava de não oferecer o retorno financeiro esperado, além de enriquecimento individual.

Ornamento em mapa de antiga obra que conta a história de Maucício de Nassau. Percebam que os negros escravos retratados aportando as embarcações europeias

Ornamento em mapa de antiga obra que conta a história de Maucício de Nassau. Percebam que os negros escravos retratados aportando as embarcações europeias. Fonte

A partir de então, o típico modelo de conquista colonial foi estabelecido com altos impostos e pressão para que os latifundiários quitassem suas dívidas com a Companhia, além de estabelecerem rígido controle sobre as práticas religiosas dos católicos. Com isso, a população pernabucana se aliou novamente às tropas luso-brasileiras e deram inicio a um processo de inssureição, em 1645, com a realização de diversas batalhas (talvez a mais conhecida seja a Batalha de Guararapes -1648-1649) que, pouco a pouco, expulsaram os holandeses da região.

Engenho

ORNAMENTO EM MAPA DE ANTIGA OBRA QUE CONTA A HISTÓRIA DE MAUCÍCIO DE NASSAU. COM CUIDADO, PODEMOS NOTAR DOIS SOLDADOS HOLANDESES NA CASA GRANDE, AO FUNDO, ACOMPANHADOS DE FIGURAS QUE PARECEM SAUDÁ-LO. ALGO QUE TENTA CONSTRUIR A IDEIA DE ACEITAÇÃO APOIO DESTAS COMUNIDADES À PRESENÇA DOS INVSORES… Ô VIU! MAIOR ALEGRIA PARA OS ESCRAVOS, NÉ! NADA COMO OS MAIORES TRANSPORTADORES DE CARGA DO MUNDO CHEGANDO EM PERNAMBUCO, RECEBIDOS PELA PRÓPRIA “CARGA” ¬¬ #PRONTOFALEI FONTE: BIBLIOTECA NACIONAL

Em 1654, finalmente os holandeses assinaram o tratado de rendição, na Campina da Taborda, e este momento histórico passou a ser parte de uma memória construída pelos coloniais, baseada no valor da “sua gente” para expulsar os invasores.

Procissão que sai acompanhando NAssau

Indígenas saindo das Missões para encontrar Nassau e sua Companhia. Detalhe ara a bandeira holandesa. Fonte

Ademais, sei que este artigo está longe de ser completo sobre o assunto, mas meu objetivo é incentivar vocês a procurarem saber um pouco mais sobre a História Brasileira. Portanto, mexe os dedinhos aí e clica nos links que deixei de referências no meio do texto!
Até mais,
PaleoNerd

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About the Author

PaleoNerdMe chamo Denis e sou professor de História. Concluí minha Graduação em Licenciatura em História na Universidade Estadual Paulista – UNESP, Câmpus de Assis-SP em 2009. Em 2014 concluí minha Especialização em Educação, Arte e Multimeios pela Unicamp. Atuo na área desde 2010, ministrando aulas para o Ensino Fundamental, Ensino Médio, Cursos Pré-Vestibulares, assim como, palestras e oficinas para jovens e adultos.

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