A Narrativa Cyberpunk

A Narrativa Cyberpunk

Já para introduzir o assunto, quero deixar claro que a narrativa cyberpunk é um estilo de escrita que conseguiu migrar para outras mídias e dar o start a um estilo de narrativa que possibilitou a criação de universos como o MARVEL, DC e até obras contemporâneas como a Trilogia Nikopol! Este texto é uma adaptação do artigo que escrevi com grande carinho para a GAME SENIOR, sobre as relações entre o jogo Flasha Back e a narrativa cyberpunk, e procura fazer um breve apanhado geral sobre a história da ficção-científica, até as formas de roteiros inspirados nesta manifestação literária.

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AVISO: Este texto é cabeçudo! Não me preocupei em explicar tanto a História para forçar a galera a pesquisar um pouco também, né! 😛

Surgida no século XIX,a ficção-científica reunia histórias sobre um mundo no qual homens convivem com máquinas, robôs e viagens espaciais, ideia que deu origem a uma vertente que mistura influências de contos góticos e horror para formar justaposição alegórica de alta tecnologia e decadência da sociedade que foca seu olhar nas relações entre o ser humano e a máquina.

A cinematografia da ficção científica costumava usar muito de truncagens simples para criar a ilusão de animais gigantes e outras coisas do tipo.

A cinematografia da ficção-científica costumava usar muito de truncagens simples para criar a ilusão de animais gigantes e outras coisas do tipo.

Sempre dotado do misto entre medo e admiração, o fascínio por maquinários capazes de mimetizar as ações humanas da literatura encontrou na estética cinematográfica o lugar perfeito de manifestação, através de obras como Metropolis (1927). Fato que permitiu à ficção-científica ganhar maior notoriedade a partir do lançamento da película “Destination Moon”-1951 que é considerada vanguarda deste tipo de narrativa.

Metrópolis - 1927 Cena dos operários, mantidos sob estrito controle.

Metrópolis – 1927 Cena dos operários, mantidos sob estrito controle.

Nascido já em meio ao mercado dos blockbusters, o cinema de ficção-científica surgiu junto com obras primas do cinema hollywoodiano como “O dia em que a terra parou” e  passou a contar com aumento nos financiamentos de projetos audiovisuais, destinados a retratar o universo fantástico de histórias repletas por viagens à planetas desconhecidos e encontros com formas de vida hostis. Fato que nos permite encontrar por todo este período uma enorme quantidade de material que varia de FANTÁSTICO à PÉSSIMO hahaha

Cena de filme mexicano, da década de 1960, influenciado pela cinematografia sci-fi norte-americana.

Cena de filme mexicano, da década de 1960, influenciado pela cinematografia sci-fi norte-americana. Se você quer entender mais sobre este assunto, ouça o PODCAST Fronteiras da Ciência

Mas, de qualquer forma, esta forma de narrativa era introduzida nos meios de entretenimento em massa, com referências clássicas da literatura de “Viagem ao centro da terrra” e a recém-formulada cultura que acompanhava os primeiros HQ´s, como Flash Gordon e Tarzan. Era essa galera NERD, que procurava conhecer a literatura de Julio Verne na escola, ia aos cinemas ver filmes de ficção-científica e lia gibis que acompanhou a obra de autores como Isaac Assimov e, já adultos, piraram com séries como Cosmos!

A partir de então, o cinema “sci-fi” foi subdivido em temáticas específicas que poderiam ser entendidas por:

  • filmes de monstro
  • conquista espacial
  • invasão alienígena
  • consequências da guerra nuclerar

Contudo, é preciso ter em mente que a ficção-científica era uma forma literária destinada ao entretenimento. Algo que foi extremamente rentável, no período, e ganhou maior notação com obras de autores como IsaakAssimov (como já citado) e Aldous Huxley, os quais escreviam muito sobre a visão que tinham do mundo em que viviam.

Este foi um período muito tenso, já que o fim da Segunda Guerra Mundial, jogou o planeta em uma nova forma polarização política e econômica do ordenamento mundial, denominado Guerra Fria. Um momento em que a corrida espacial e a constante ameaça do uso de energias nucleares gerava a constante do MEDO, no qual as pessoas realmente acreditavam na possibilidade de uma guerra que terminaria por destruir toda a humanidade.

Já na década de 1980, foi o autor Bruce Bethke que, introduziu o termo CYBERPUNK,  ao utilizá-lo como título de um conto que publicou na revista de ficção-norte americana Amazing Stories. No mesmo ano, o autor William Gibson lançou Neuromancer (1984) que conta a história de um hacker e sua paranóia frente às megacorporações que controlam a sociedade.  Situação que permitiu a este autor capturar a mistura entre ansiedade e fascínio, presente na mentalidade do homem que vivia a desintegração da Ordem Mundial.

Imagem que marca a capa da obra Neuromancer, que FINALMENTE tem uma versão em português!!

Imagem que marca a capa da obra Neuromancer, que FINALMENTE tem uma versão em português!!

Isto em função da decadência soviética, durante o fim da década de 80, cuja estrutura econômica ruía (falida pela Corrida Espacial) e a estrutura política necessitava lidar com a enorme quantidade de manifestações populares contra a corrupção da tecnocracia russa. A partir do contato iniciado por Gorbatchev, a Perestroika dava início a um período de desenvolvimento da sociedade globalizada tecnológica.

COLOGNE, GERMANY - MARCH 13: Former leader of the Soviet Union Mikhail Gorbachev attends a 'meet and greet' before talking with Fritz Pleitgen about his autobiography 'Alles zu seiner Zeit' (All in good time) during the lit. Cologne at `Guerzenich`on March 13, 2013 in Cologne, Germany. (Photo by Ralf Juergens/Getty Images)

Eis aí o conhecido político que realizou a “abertura” da URSS, Gorbatchev

No cinema, este olhar foi fundido com a cultura punk – de músicas selvagens, discursos revoltados e visuais inspirado no sadomasoquismo – e associado às inovações de efeitos especiais para construir imagens deste cosmo inovador, o qual desenvolvia características como a presença de uma estrutura arquitetônica neogótica, assim como histórias marcadas por máquinas de características humanas e um grande foco na crítica à desigualdade social.

Como foi o caso de Blade Runner (1982), de Ridley Scott, que narra uma história aonde uma megacorporação monopolista havia desenvolvido robôs humanoides, dotados de maior força, agilidade e inteligência que seus criadores. Estas máquinas eram chamadas “replicantes” se organizam em uma revolta dentro de uma das colônias humanas, situada em outro planeta. Para conter a situação, os humanos criam uma força especial, que tem a função de localizar e eliminar estas anomalias mecânicas.

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Adaptação do poster de Blade Runner, que foi marcante para a carreira do Indiana Jones, quero dizer, Harison Ford. Fonte OMELETE

Este universo é, hoje, foco de debates e referências até mesmo dentro do meio acadêmico, por revelar enorme valor para análises filosóficas, sociais e antropológicas da sociedade contemporânea. Isto devido ao reflexo da sociedade, apresentado por estas interpretações da realidade. Já no final dos anos 80 e 90, a indústria cinematográfica explorou muito este nicho mercadológico, como percebemos uma produção efusiva de filmes como Robocop(1987), Johnny Mnemonic (1995), Hackers (1995), The Cube (1997), etc.

Na indústria dos videogames  também podemos contar com criações de jogos como Neuromancer (1988) pela Interplay Productions, assim como Another World (1991), o próprio Flashback (1992) -, Beneath a Stell Sky (1994) ou mesmo variações adaptadas desta temática, como o famosíssimo Full Throttle (1995). A partir de então, toda esta história fica para uma outra História! Até mais! 🙂

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About the Author

PaleoNerdMe chamo Denis e sou professor de História. Concluí minha Graduação em Licenciatura em História na Universidade Estadual Paulista – UNESP, Câmpus de Assis-SP em 2009. Em 2014 concluí minha Especialização em Educação, Arte e Multimeios pela Unicamp. Atuo na área desde 2010, ministrando aulas para o Ensino Fundamental, Ensino Médio, Cursos Pré-Vestibulares, assim como, palestras e oficinas para jovens e adultos.

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