Você sabe o que é VÍDEO ARTE?

Você sabe o que é VÍDEO ARTE?

O termo video vem do latim videre (“eu vejo”) e se refera à  tecnologia de comunicação que conta, nos dias de hoje, com enorme disseminação por todo o planeta, desde a década de 1960. Atualmente, a internet ajudou a mostrar para o mundo o poder dos vídeos transmitir mensagens, em uma velocidade nunca antes imaginada! 

Dados de 2010 sobre o crescimento do Youtube. FONTE

Dados de 2010 sobre o crescimento do Youtube. FONTE

Usando de termos mais técnicos, o uso da internet de banda larga como veículo de materiais audiovisuais favoreceu o desenvolvimento de uma formação social única. E para termos uma ideia, segundo o site  Tecmundo,  a cada dez segundos, cerca de cem novos vídeos são adicionados no acervo online do Youtube! Mas eis a questão: Será que  todas estas obras podem ser entendidas como uma forma de arte?

Para falar a verdade, a questão sobre O QUE É ARTE é muito mais longa e remonta ao período da Grécia Antiga, quando Aristóteles escreveu Poética. Mas relaxem que não vou falar sobre isso POR ENQUANTO. Vamos nos ater à questão do vídeo.

A ideia de produzir arte com o vídeo remonta  à década de 1950, quando esta tecnologia ainda engatinhava. Já neste período encontramos referências a trabalhos pioneiros que tentaram desenvolver trabalhos artísticos com videos, como por exemplo as criações artísticas de John Whitney, o qual acreditava na potencialidade do computador para o desenvolvimento de uma computação gráfica com fins artísticos. Este artista realizou suas primeiras experiências em um computador analógico – usado para controlar canhões antiaéreos, que adquiriu em um descarte – e chegou a realizar uma animação de abertura para a película Vertigo (1958) de Alfred Hitchicock.

Cena tirada da sequência de introdução do filme Vértigo (1958) que, na época, foi algo SUPER INOVADOR! O Espiral do olho da personagem evolui em um fractal, durante os créditos de entrada.

Cena tirada da sequência de introdução do filme Vértigo (1958) que, na época, foi algo SUPER INOVADOR! O Espiral do olho da personagem evolui em um fractal, durante os créditos de entrada.

Mas não pensem que os primeiros passos da tecnologia televisiva começaram somente em meados do século XX. Na verdade, desde todo o desenvolvimento da tecnologia utilizada em televisores foi criada durante a década de 1920 com a elaboração de tubos de raios catódicos (CRT). Composto por uma enorme válvula eletrônica à vácuo que converte eletricidade em luz no momento em que descarrega um fluxo de partículas de elétrons sobre a tela revestida por uma camada de fósforo e tem a imagem acurada devido a deflexão realizada por uma série de eletroímãs dispostos próximos ao canhão.

Aqueles antigos televisores grandões que tínhamos em casa usavam esta técnologia dos

Aqueles antigos televisores grandões que tínhamos em casa usavam esta técnologia dos tubos de raios catódicos. Essa tecnologia fazia com que a imagem fosse construída por linhas, de cima para baixo – BEEEM diferente do que vocês estão acostumados a ver hoje.

Esta técnica, denominada de formação da imagem por varredura, passaria a dividir espaço com o dispositivo vetorial de imagem (voltado para a elaboração de projetos  em software CAD/CAM) o qual foi muito pelos animadores experimentais, associados aos primeiros estudos de som eletrônico. De qualquer forma, foi a partir de 1960 que a VIDEOARTE ganhou força, com as câmeras que começavam a ficar mais acessíveis (apesar de ainda caras!!) e foram parar na mão de pessoas realmente interessadas criar arte com vídeo.

A autora Marília Xavier de Lima, da Universidade Federal de Juiz de Fora, realizou uma análise sobre os usos artísticos do video, no artigo “Videoarte no Brasil: história e conceitos” e, para isso, estudou as obras de Arlindo Machado – um conhecido artista brasileiro, POIS É! De qualquer forma, Marília fala que a partir da década de 60, diversos artistas procuraram experimentar novas linguagens com diferentes suportes. Assim, em meio ao contexto da Guerra Fria, podemos notar o surgimento de diversas experiências audiovisuais como a nouvele-vague, na França ou o cinema underground norte-americano e o conhecido cinema novo italiano que fornecem  bases para que o vídeo desenvolva uma linguagem e estéticas características, relacionadas ao suporte da videoarte. Todos os artistas destes movimentos da cinematografia usavam a técnicas como mixagem de imagens  sobre impressão, jogos de janelas e incrustação.

A Nouvelle vague (Nova Onda) foi um movimento artístico

A Nouvelle vague (Nova Onda) foi um movimento artístico marcado por cineastas jovens, com pouco incentivo financeiro e muita vontade de transgredir a regras típicas do cinema comercial da década de 1960.

De qualquer forma, a vídeo arte, pode ser entendida como um movimento artístico de período determinado (1960 a 1990) já que com a introdução dos artifícios computacionais ela perde cada vez mais seu caráter experimental para ser apropriada pela indústria do entretenimento. Tendo suas inovações aplicadas principalmente na cultura dos videoclipes, ao mesmo tempo que acaba por reforçar a ideia de Bourraud, o qual coloca a arte contemporânea como que dotada de uma estética dinâmica que apresenta uma forma capaz de acompanhar suas evoluções, adquirindo uma consistência real apenas quando coloca em jogo as inter-relações entre humanos – e permite uma relação dialética entre obra e receptor que só é possível por meio do choque de planos de realidade.

Arlindo Machado FONTE

FONTE (Imagem) – “não seria exagero dizer que a câmera de vídeo é uma máquina de ‘escrever’ de imagens, porque, tal como na escrita verbal, a inscrição da figura se faz em ‘linhas’ individuais, da esquerda para a direita e de cima para baixo” (1990, Arlindo Machado)

No Brasil a video-arte se desenvolveu a partir da década de 1970, impulsionada pleo cinema experimental que crescia muito com trabalhos de autores como Eduardo Coutinho e Glauber Rocha, num movimento chamado Cinema Novo e contou com trabalhos de artistas como Hélio Oiticica e Analívia Cordeiro. Deixo abaixo o vídeo de M 3×3, de Analívia Cordeiro:

Segundo tudo que precede, podemos concluir que a videoarte surge como uma possibilidade de saída para uma crise que marcava a arte figurativa e se desenvolve com uma tecnologia diferenciada das produções cinematográficas, marcada pelo acesso – cada vez mais popularizado – aos meios que permitam estas obras. Além disso, esta arte (inicialmente surgida com o caráter performático) força o desenvolvimento de formas criativas para que estes artistas pudessem atender aos seus anseios criativos, ao mesmo tempo que o fizessem dentro de orçamentos definidos por suas condições.

Com isto, percebemos que as técnicas de trucagem e sobreposição ganham maior espaço de exposição com o passar do tempo, ao ponto de a aplicação do chroma-key ser importada como efeito para as grandes telas. Em seguida, as características da videoarte acabam por serem fagocitadas pela indústria musical e perdem, de uma vez por todas, aspectos que a tornavam única. Esta planificação de uma cultura apropriativa e (re)significativa em terra nulla permite-nos questionar sobre as formas de utilização destes meios em concordância a interesses de uma parcela minoritária (e detentora das técnicas mais eficientes) para o estabelecimento de um poder hegemônico e concentrado. Toda esta estética audiovisual termina por ser aplicada conscientemente ou não de forma popular e fragmentada com o enorme incremento da disposição de meios que permitam a elaboração e edição de vídeos, os quais são incessantemente publicados em redes sociais pela internet. Isto tem oferecido as condições para o estabelecimento de uma cultura cada vez mais baseada na imagem.

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About the Author

PaleoNerdMe chamo Denis e sou professor de História. Concluí minha Graduação em Licenciatura em História na Universidade Estadual Paulista – UNESP, Câmpus de Assis-SP em 2009. Em 2014 concluí minha Especialização em Educação, Arte e Multimeios pela Unicamp. Atuo na área desde 2010, ministrando aulas para o Ensino Fundamental, Ensino Médio, Cursos Pré-Vestibulares, assim como, palestras e oficinas para jovens e adultos.

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