Imperador da Inglaterra Romana , COM COVINHA!

Imperador da Inglaterra Romana , COM COVINHA!

Neste ano de 2015, foram descobertas milhares de moedas, datadas do século III d.C. que representavam uma face de homem barbado, com queixo duplo – a famosa “covinha”, sabe – nas famosas fortificações romanas situadas na região do Canal da Mancha, que separa a Inglaterra e França.
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A fatídica moeda com a face de Carasius de um lado e um leão no verso. Foi essa malandrinha aí que levantou toda a questão. FONTE

Tal fato deixou os pesquisadores intrigados, porque o imperador romano da época, Gaius Aurelius Valerius Diocletianus (conhecido por nos apenas como Dioclesiano) não apresentava as benditas covinhas em nenhuma representação até então encontrada. Por este motivo, nenhum destes intelectuais soube dizer quem era o dito cujo que estava naquelas moedas, fato que os levou a aprofundar as pesquisas sobre a região.
Escultura que revela a face (SEM COVINHA NO QUEIXO) do Imperador Dioclesiano, presente no Museu Archeológico de Istambul. Fonte: WIKIMEDIA

Escultura que revela a face (SEM COVINHA NO QUEIXO) do Imperador Dioclesiano, presente no Museu Archeológico de Istambul. Fonte: WIKIMEDIA

O período a partir do século III d.C. faz parte do que os historiadores convencionaram chamar de Declínio do Império Romano e tem, como características:
– disseminação do cristianismo
– estagnação da expansão territorial
– crise da mão de obra escrava
– corrupção generalizada
– conflitos entre generais pelo poder
– inflação dos alimentos e aluguéis
– impostos abusivos
– invasões bárbaras
Para entender melhor esta notícia, importa ter em mente que as constantes invasões de tribos saxônicas nesta região de fronteira do Império Romano era um problema que ameaçava a integridade territorial e política de Dioclesiano. Fato que o levou a tomar ação em diversas frentes, na tentativa se manter no poder, como a criação da Tetrarquia (divisão do império em quatro partes), ordenar a perseguição aos cristãos,  enviar legionários (soldados romanos) para patrulharem as fronteiras e criar o Èdito Máximo, que fixava os preços máximos de mercadorias e salários.
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Baixo relevo encontrado em sarcófago do século III d.C, denominado Ludovisi Battle sarcophagus. Datado entre 250 e 260, este relevo demonstra a batalha entre romanos e germanos, enquanto coloca em evidência a imagem do então imperador Hostiliano (251). FONTE: WIKIPEDIA

Dentre outras medidas, este governante ordenou à Carausius, um de seus comandantes navais na região da atual Inglaterra, a diretiva de patrulhar o Canal, para coibir a presença de piratas que aterrorizavam seus súditos. Até então, tudo fazia sentido, e os pesquisadores acreditavam que a região conhecida como “Fortes da Costa Saxônica” teria sido construída para impedir o avanço das tribos saxônicas.
Contudo, a novidade partiu da pesquisa nos documentos oficiais, nos quais o constante enriquecimento deste comandante levantava suspeitas de que o comandante talvez estivesse agindo em associação com seus adversário. Para se livrar deste problema, o imperador ordenou a execução de Carausius em 286, e este, ao saber sobre os rumores que cercavam sua pessoa e o destino de sua graça, decidiu declarar a si mesmo o Imperador da Bretanha (atual Inglaterra) e do norte da Gália (atual França).
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Forte cuja construção é atribuída à Carausius, na atual Portmouth (Hampshire). FONTE: RomanFootprints.com

Como Carausius não era bobo e sabia muito bem que Roma não deixaria essa afronta “numa boa”, ele
encomendou a cunhagem de milhares de moedas (que teriam já a face do novo imperador de covinhas) para investir em proteções contra os ataques do Império Romano.
Tudo isso levou os historiadores a repensarem tudo que conheciam sobre a História da região e considerarem que tais construções foram realizadas (ou pelo menos fortificadas) não para impedir invasões do “bárbaros”, mas sim para proteger o império independente de Carausius!
De qualquer maneira, nosso “anti-herói” de covinhas foi assassinado em 293, por seu Ministro das Finanças, Allectus, que governou por mais três anos até que Roma pôs fim a este ato de rebeldia, no estilo típico do Império; massacrando os rebeldes e retomando o poder.
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Perspectiva mais ampla do mesmo forte. FONTE: RomanFootprints.com

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PaleoNerdMe chamo Denis e sou professor de História. Concluí minha Graduação em Licenciatura em História na Universidade Estadual Paulista – UNESP, Câmpus de Assis-SP em 2009. Em 2014 concluí minha Especialização em Educação, Arte e Multimeios pela Unicamp. Atuo na área desde 2010, ministrando aulas para o Ensino Fundamental, Ensino Médio, Cursos Pré-Vestibulares, assim como, palestras e oficinas para jovens e adultos.

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