As Sufragettes – as pioneiras do Feminismo

As Sufragettes – as pioneiras do Feminismo

Vivemos um tempo em que muito se fala sobre o feminismo, machismo, homofobia e intolerância dos mais variados tipos. Este tipo de discussão está presente nas redes sociais, nos maiores meios de comunicação (TV, jornais, revistas) e em conversas cotidianas. O fato é que o tópico não é recente e, como sociedade, é nosso papel estarmos abertos a novas ideias, costumes e realidades. Visto que uma ideia que hoje consideramos consolidada provavelmente em algum momento da História já foi tabu, polêmica e contravenção, como por exemplo a escravidão ou o direito de voto das mulheres.

Por falar nisso, se hoje as mulheres ainda lutam pela igualdade de direitos e concorrência leal no mercado de trabalho em relação aos homens, é sabido que este abismo já foi muito maior e suas lutas eram frequentemente consideradas ilegítimas e até mesmo sem sentido. Os primeiros grupos de luta pela igualdade feminina surgiram entre os Séculos XIX e XX, na Inglaterra e concomitantemente em vários pontos da Europa e Américas. Na Inglaterra, a família Pankhurst (Emmeline e suas filhas) é associada ao pioneirismo da militância pelo direito de voto das mulheres.

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Protesto das Sufragistas. Fonte

Emmeline Pankhurst fundou em 1903 a União Política e Social das Mulheres (Women’s Social and Political Union – WSPU) com o lema “Atos, não palavras” (“Deeds, not words”) e por algumas vezes, chegaram a organizar manifestações violentas fazendo valer seu lema a fim de alcançar seus objetivos, já que estavam fartas do discurso moral que sempre recebiam porque não eram levadas a sério. Por exemplo, Pankhurst assumiu o atentado à bomba que chegou a plantar na casa de campo de um político, como refere-se a imagem abaixo:

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Uma das bombas encontradas na casa, 1913. Mirrorpix

Title/Inv/Barcode.: Science Museum Photo Studio Date: 08/06/05 Colour Profile: Adobe RGB (1998) Gamma Setting: 2.2 Please note: This image is not currently fully processed.

5 de Julho de 1910 – Mulher sendo arrastada por policiais durante protesto. As mulheres britânicas só tiveram direito ao voto a partir de 1918.

Uma das militantes, Emily Davison, chegou a lançar seu corpo embaixo do cavalo do Rei durante o Derby Day (uma corrida de cavalos de grande influência na Inglaterra) quando se feriu gravemente e faleceu 4 dias depois por complicações dos ferimentos. Seu funeral contou com a presença de muitas ativistas de vários países, usando vestidos bancos de noiva (em protesto ao conceito de que mulher só servia para se casar) e com uma faixa preta no braço ou transversal ao peito em sinal de luto e apoio à causa. Existe até um vídeo sobre o fato, que você pode ver aqui:

Ao longo do tempo a luta passou a ganhar força, mesmo frente à repressão violenta, o preconceito e à cruel propaganda negativa que recebiam, como nessas imagens abaixo, vinculados à época. Mesmo nos dias atuais, muitas pessoas vêem o feminismo associado a esteriótipos ultrapassados, como o da mulher mandona, misógina, obcecada e solitária.

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Cartoon satírico em relação às Sufragistas (Suffragettes). Da doce menina à velha solitária, maluca e Sufragista Fonte

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Intenção de depreciação do status masculino como submisso à mulher que vota: “Eu queria vota mas minha mulher não deixa”. Fonte

A verdade é que, se nossa sociedade ainda enfrenta questões sexistas, raciais, sociais e de diversidade cultural e religiosa é sinal de que ainda há muita água pra passar por debaixo desta ponte, muitos ainda vão sofrer e suas lutas – e cada um de nós tem a sua. O feminismo hoje passa por uma reestruturação de valores, onde se procura a desmistificação de outros tabus (estigma social, sexo, mercado de trabalho, posicionamento político, imagem corporal…) e outras lutas (o voto já é universal em sociedade democráticas). O destino ideal é o da igualdade, sem rótulos que categorizam e excluem as pessoas, mas sabemos que ainda temos um longo caminho a seguir.

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About the Author

PaleoNerdMe chamo Denis e sou professor de História. Concluí minha Graduação em Licenciatura em História na Universidade Estadual Paulista – UNESP, Câmpus de Assis-SP em 2009. Em 2014 concluí minha Especialização em Educação, Arte e Multimeios pela Unicamp. Atuo na área desde 2010, ministrando aulas para o Ensino Fundamental, Ensino Médio, Cursos Pré-Vestibulares, assim como, palestras e oficinas para jovens e adultos.

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