O Egito de um deus só!

O Egito de um deus só!

Sempre que nos referimos ao Antigo Egito, uma das primeiras coisas da qual lembramos é o culto politeísta que fundamentava a estrutura de poder teocrático desta civilização. Pra quem não está lembrando, teocracia vem do grego (theos = deus + kratos = poder) e serve para definir a organização política de uma sociedade, cujas leis estão fundamentadas na religião – que, neste caso tinha vários deuses. Por este motivo, o faraó era visto como a própria encarnação do deus Sol (Rá)  na Terra e dotado de poderes mágicos como o controle das cheias do Nilo! PAra entender melhor isso, releia o texto “Faraó da Ostentação“, que fala sobre o caráter divino deste líder.

Entretanto, o que você NÃO SABIA é que houve um período da história do Antigo Egito, durante o qual foi implementado um culto monoteísta! Isso quer dizer que todos aqueles deuses que você costuma ver nos materiais didáticos, filmes e jogos, simplesmente haviam sido abolidos por um decreto do faraó.

Mas, POR QUE?

A partir de 1350 a.C, o Novo império egípcio tinha um novo faraó, chamado Amenófis IV., o qual entrou em grande conflito com os sacerdotes pelo controle do poder político e religioso. Isto porque estes representantes dos deuses  presentes no panteão egípcio se transformaram em personalidades muito importantes para a sociedade egípcia. Tanto que enriqueceram muito e chegaram até mesmo a transformarem suas posições sociais em CARGOS HEREDITÁRIOS, dando início a dinastias!

Detalhe em baixo relevo que demonstra o culto À aton, com Akenáton e sua esposa, Nefertiti, ao seu lado.

Detalhe em baixo relevo que demonstra o culto À aton, com Akenáton e sua esposa, Nefertiti, ao seu lado.

Tudo isso ameaçava a figura  onipotente do faraó e o interesse dos sacerdotes em querer participar das decisões do governo fez com que alguns desses homens chegassem a ocupar os mais importantes cargos do governo. Por este motivo, este rei buscou o apoio do exército para realizar uma drástica mudança na religião egípcia: instaurar o MONOTEÍSMO e chutar todos os sacerdotes “folgados” do Império.

Sim caros jovens! Neste momento, o faraó chutou o pau da barraca e resolveu que a partir daquele momento só deveria ser cultuado o deus ATON do disco solar, entendido como a manifestação física de Rá.  Imagina o auê!!!!

FONTE:  The Metropolitam Museum of Art

Anel que teria sido usado por Akenaton e sua rainha,encontrado em 1891, na escavação de Amarna. As duas figuras sentadas são, provavelmente, Akenáton (esq.) e Nefertiti (dir.), com o disco solar acima deles. FONTE: The Metropolitam Museum of Art

Além disso, o faraó decidiu mudar seu nome de Amen-hotep (“Amon está satisfeito”) para Aquenáton (“o espírito atuante de Aton”) como forma de deixar claro seu repúdio pelo rei dos deuses, Amon. Tudo isso, deu liberdade ao faraó de expulsar os sacerdotes que lhe faziam oposição, contudo, lhe rendeu também uma série de revoltas, já que a população ficou furiosa com a ideia de ser forçada a abandonar deus que eram cultuados por ele há MILÊNIOS!

Para lidar com essa situação, Amenifis IV contou com o apoio (leia-se PORRADA) do exército para manter as pessoas submissas ao seu poder e deu início a uma serie de construções que contaram, inclusive, com uma nova capital. Ele simplesmente abandonou a antiga capital Tebas para criar uma cidade toda novinha, dedicada ao seu grande (E ÚNICO) deus Aton. A cidade foi denominada de Aquetaton (“o horizonte de Aton”) e foi construída à base de muito trabalho compulsório onde hoje conhecemos por Amarna.

Aqui temos uma fotografia da escavação realizada no cemitério da antiga cidade de Aquetaton

Aqui temos uma fotografia da escavação realizada no cemitério da antiga cidade de Aquetaton, onde o estudo das ossadas encontradas neste sítio demonstram que as pessoas comuns (adultos E crianças) que viveram nesta região sofriam com graves faltas de nutrientes  além de sofrerem de degeneração das articulações, por terem carregado grandes pesos. O esforço era tão grande que 2/3 dos esqueletos que foram encontrados apresentavam ossos quebrados! FONTE: Scientific American Brasil;  Imagem: Egyptology News

Com a morte de Amenofis IV (ou Aquenaton), após 17 anos de governo, seu filho foi forçado a retomar o politeísmo e agir sob as ordens dos antigos sacerdotes. Todavia, o jovem sofreu uma morte prematura e, após seu sepultamento, sua tumba foi lacrada e tida como amaldiçoada. Além disso, os sacerdotes orndenaram que todas as referências à história desses dois faraós (Aquenaton e seu herdeiro) fossem apagadas de todos os registros existentes, de forma que este episódio da história egípcia fosse esquecido.

Tal fato foi importantíssimo para o avanço dos estudos arqueológicos sobre o Egito Antigo, já que esta seria a única tumba da história a ser encontrada absolutamente intacta, por Howard Carter. Ah! Já ia esquecendo!!

Capturar

Estátua baseada na composição da ossada de Tutankamon, feita para a exposição que aconceteu no México. FONTE

Quanto ao nome deste jovem faraó, filho de Amenofis IV…. Bom… Esse vocês conhecem faz tempo….

Seu nome era Tutankamón, o FARAÓ DA OSTENTAÇÃO!

E por aqui ficamos com mais uma #paleoHistóriadaAntiguidade…. ABRAÇOS!

COMENTÁRIOS

Desembuche aqui:

Share this:

About the Author

PaleoNerd

Me chamo Denis e sou professor de História. Concluí minha Graduação em Licenciatura em História na Universidade Estadual Paulista – UNESP, Câmpus de Assis-SP em 2009. Em 2014 concluí minha Especialização em Educação, Arte e Multimeios pela Unicamp. Atuo na área desde 2010, ministrando aulas para o Ensino Fundamental, Ensino Médio, Cursos Pré-Vestibulares, assim como, palestras e oficinas para jovens e adultos.

View all posts by PaleoNerd

Leave a Reply