A História da Bandeira Arco-Íris e o orgulho LGBTT.

A História da Bandeira Arco-Íris e o orgulho LGBTT.

Desde a semana passada temos percebido nossas redes sociais ficarem cheias de profiles com fotografias que remetem às cores da bandeira arco-íris, que marca o movimento em defesa dos direitos LGBTT (Lésbicas, Gays, Bisexuais, Travestis e Transgêneros), após a aprovação da lei que regulamenta o casamento entre pessoas do mesmo sexo no país. Este fato é realmente IMPORTANTE PRA XUXU pois reafirma o fundamental princípio de igualdade entre as pessoas, presente na Declaração dos Direitos Humanos, sobre a qual já falei uma vez, quando expliquei um pouco sobre a Magna Carta. Inclusive, no dia de hoje, o consulado norte-americano no Recife hasteou até a bandeira LGBTT!!

Creator of Iconic Rainbow Flag in Ireland forÔAn Evening of ABSOLUT PrideÕ...21.06.2011..Merrion Square Park,Dublin... Pictured with IrelandÕs largest and most colorful flag, the Rainbow flag (60X5 metres) is Rainbow flag creator Gilbert Baker who is in Ireland for the first time to speak at ÔAn Evening of ABSOLUT PrideÕ, organised by ABSOLUT Vodka in the National Gallery of Ireland tomorrow (Wednesday, 22nd June) to celebrate Pride 2011.The event is a continuation of ABSOLUTÕs collaboration with Gilbert Baker who designed the ABSOLUT Colors bottle in celebration of the 30th anniversary of the rainbow flag in 2008.The Rainbow flag is recognised internationally as a symbol of Lesbian, Gay, Bisexual and Transgender (LGBT) community.In 1978 Gilbert Baker the Rainbow flag was given its first public outing at the San Francisco Gay Freedom Parade on June 25th of that year. Slowly the flag took hold, and today it is recognised by the International Congress of Flag Makers, is flown in Pride marches worldwide and has become much more than just a flag, it is a symbol of hope and pride for the LGBT Community. Ê-ends- ÊFor further information: Kerryann Conway / Anri McHugh, Conway Communications. Tel: 01-7071704, 086-8215246 / 087-6168785

Gilbert Black, o criador da icônica bandeira arco-íris em fotografia na tarde do ORGULHO ABSOLUTO, em 2011 – Irlanda. FONTE: MAXWELL PHOTOGRAPHY

Mas, você sabe como essa bandeira se transformou no símbolo da luta LGBTT?

A história de símbolos e segregação social relacionada à questão do gênero é muito mais ampla e complexa do que se pode imaginar e está ligada à toda a história da humanidade, contudo, segundo o artigo da vinculado ao governo do Canadá, “Solidarity and Pride” (Solidariedade e Orgulho), o mais conhecido ícone contemporâneo relacionado a este fato remete aos campos de concentração nazistas, quando homosesuais e lésbicas eram forçados a utilizar um triangulo rosa, costurado em suas roupas, como forma de identificação.

O último sobrevivente "Triângulo Rosa" do holocausto foi Rudolf Brazda, que faleceu aos 92 anos, em 2011.

O último sobrevivente “Triângulo Rosa” do holocausto foi Rudolf Brazda, que faleceu aos 92 anos, em 2011. FONTE

Entretanto, foi somente na São Francisco de 1978 que o artista local Gilbert Baker criou esta bandeira para a ocasião da San Francisco Freedom Day Parade (Parada do Dia da Liberdade de São Francisco), originalmente com 8 cores que representavam, respectivamente: rosa (sexualidade), vermelho (vida), laranja (saúde), amarela (sol), verde (natureza), azul-claro (arte), azul-escuro (harmonia) e violeta (espírito). Já em 1979 o Pride Parade Comiittee decidiu retirar as cores rosa e azul-claro com objetivo de reduzir os custos que envolviam a produção da Parada mas, de qualquer forma, esta bandeira se transformou no símbolo da força e solidariedade da comunidade LGBTT.

Tudo isto nos serve para lembrar dos grandes princípios sociais (e religiosos) da humildade e respeito, cuja memória parece ser necessário reavivar, diante das diversas manifestações de ódio que temos presenciados no país. Por este motivo, o PALEONERD decidiu dar uma dica do filme “Ninguém é Perfeito” (1999), o qual pode nos ajudar a refletir sobre o fato de não termos DIREITO NENHUM de nos colocar como superiores às pessoas que não compartilham dos nossos pontos de vista!

Poster Original do Cinema. FONTE

Poster Original do Cinema. FONTE

Este filme que conta com a presença do grande ator Robert De Niro que trabalha junto com outro grande mestre das telinhas, Philip Seymour Hoffman, o qual interpreta o papel de Rusty, uma drag queen que trabalha incessantemente para atingir seu sonho de mudança de sexo. Um tema que levanta certa polêmica ainda hoje, esta película filmada em 1999 que chamou minha atenção, já que De Niro é um ator que sempre foi conhecido, de forma superficial, por interpretar papéis que estão relacionados com a imagem do homem rígido e insensível em filmes como Taxi Driver, O Poderoso Chefão II e Touro Indomável.

Ninguém é perfeito (em inglês, Flawlles) trabalha com a ideia do relacionamento entre um durão ex-policial de meia idade que vive em um apartamento no Bronx (Nova Iorque) e luta para sobreviver após sofrer um derrame. Um anti-herói que se vê forçado a ter de reconsiderar suas atitudes e pensamentos homofóbicos a partir do momento em que desenvolve uma relação próxima com sua vizinha, a drag queen Rusty, com quem passa a ter aulas de canto.

Seymour e De Niro interpretam a sequência das aulas de canto, iniciadas com objetivo de ajudar o personagem de De Niro a recuperar sua dicção. Continue a ler que você irá entender!

Seymour e De Niro interpretam a sequência das aulas de canto, iniciadas com objetivo de ajudar o personagem de De Niro a recuperar sua dicção. Continue a ler que você irá entender! FONTE

O recém falecido Philip Seymour Hoffman, é outro monstro das telas de cinema, que nos deixou exemplos de sua fantástica atuação com filmes como Capote, O Mestre e, talvez mais conhecido por vocês, Jogos Vorazes, quando incorporou o papel de Plutarch. Além disso, este artista trabalhou na impressionante animação Mary and Max, quando dublou o personagem do novaiorquino Max Jerry Horovitz que trocava cartas com uma solitária criança australiana de oito anos – preciso escreve sobre essa animação para vocês!

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Eis uma TREMENDA ANIMAÇÃO! Se não viram ainda, VEJAM! Fonte

A narrativa ganha maior complexidade a medida que o envolvimento emocional entre os personagens se aprofunda entre os personagens, e ganha tensão pela presença de traficantes que aterrorizam os moradores do prédio, em busca de uma mala de dinheiro desaparecida. Com isso, o filme conta a história de diferentes vidas, cujo cotidiano transcorre em meio às finas paredes de um antigo prédio decrépito. (palavra difícil? Abre o google e procura, pombas!)

Desta maneira, “Ninguém é perfeito” intercala estas realidades e revela a brutalidade da grande metrópole norte-americana, ao mesmo tempo que explicita as belezas da rotina e da relações entre pessoas que vivem nesta selva de pedra. Este fato está presente no filme por meio da constante contraposição de matizes (cores) das sequências, cuja intensidade varia de acordo com a intensidade dos sentimentos representados pelos atores. Tudo isso fica ainda mais claro com a iluminação do filme, que reforça as sombras e contornos escuros das formas presentes nas cenas.

É neste desenvolver que o solitário Walt (interpretado por De Niro) começa a ter cada vez mais pessoas adicionadas ao seu circulo de amigos e, paulatinamente, vê sua vida de lobo solitário invadida por verdadeiros AMIGOS que o auxiliam em suas adversidades. Além do mais, este homem conta com estes companheiros para superar suas dificuldades fisiológias e ter que entender (E ACEITAR) o fato de não ser mais aquele homem forte e autossuficiente, que era capaz de defender todos a sua volta.

Assim a diversidade da sociedade nova iorquina é cada vez mais exaltada pelo roteiro, algo que podemos notar já no fim do filme, quando o protagonista se encontra rodeado por personagens de diversas etnias, generos e classes sociais. Um ponto que fica mais claro, a medida que a fotografia do filme procura inserir uma paleta muito mais rica de luzes e cores, como forma de reforçar toda a ideia de que no respeito à diversidade podemos encontrar o amor, harmonia e a felicidade. Deem uma olha na tomada abaixo que recortei do filme, para entender melhor sobre o que estou falando.

FlawllesFONTE: Netflix

Por tudo isso, acho que o filme conseguiu trazer uma fantástica expressão sobre os grupos marginalizados da cidade grande contemporânea, ao reunir pessoas que vivem numa comunidade marcada pelo estigma do estereótipo social dentro deste pequeno prédio antigo e decadente. Uma película que revela a beleza e o sofrimento da vida de seres humanos, cujo estilo de vida envolve lidar com o escárnio e preconceito de uma sociedade que se diz normal. Sempre mantendo a clássica estética que remete à cinematografia de tema do suspense policial, o diretor Joe Shumarscher foi capaz de suscitar reflexões profundas e oferecer um filme interessante para repensarmos nossas ações.

E se, em algum momento você presenciar um ato de VIOLÊNCIA HOMOFÓBICA, disque para o número 100, do DISQUE DIREITOS HUMANOS  e, então, digite 4 para ser encaminhado para o ramal de denúncias de atos de violências contra Gays, Lésbicas, Travestis e Transgêneros.

Memorial em forma de um triângulo rosa e postes pretos, que celebra a memória de todos os homens e mulheres gays perseguidos, torturados e assassinados durante a Segunda Guerra Mundial. Construído em 2000, na cidade de Sydney - Austrália.Memorial em forma de um triângulo rosa e postes pretos, que celebra a memória de todos os homens e mulheres gays perseguidos, torturados e assassinados durante a Segunda Guerra Mundial. Construído em 2000, na cidade de Sydney – Austrália. FONTE

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PaleoNerd

Me chamo Denis e sou professor de História. Concluí minha Graduação em Licenciatura em História na Universidade Estadual Paulista – UNESP, Câmpus de Assis-SP em 2009. Em 2014 concluí minha Especialização em Educação, Arte e Multimeios pela Unicamp. Atuo na área desde 2010, ministrando aulas para o Ensino Fundamental, Ensino Médio, Cursos Pré-Vestibulares, assim como, palestras e oficinas para jovens e adultos.

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