O Começo da VIDA no Planeta Terra!

O Começo da VIDA no Planeta Terra!

Atualização: Este post passou por algumas atualizações com o auxílio do grande mestre Pirula que alertou sobre a necessidade de citar o importante trabalho de Lamarck para o desenvolvimento da teoria evolucionista, ao me apropriar do termo bactéria para definir estas células. Conforme observação do biólogo, “…as primeiras células definitivamente não podem ser chamadas de bactérias. Bactérias hoje são as formas de vida mais simples conhecidas, mas ainda assim são complexas demais perto dessas primeiras células. “

Além disso, Pirula me ajudou a perceber que, ao falar sobre o criacionismo, acabei caindo no foco sobre a teoria judaico-cristã. Um ponto que poderia levar a interpretações erradas, já que a busca em explicar a origem da vida por meio de mitos é algo que não fica restrito a apenas uma sociedade.

Deixo aqui meus agradecimentos pela paciência em ler o material e apontar aspectos que precisavam sofrer melhorias. Encaminho, também, o interessante episódio “A ORIGEM DA VIDA“, do podcast SCICAST que fala sobre este mesmo assunto e contou com participação do próprio Pirula!

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Bom, galera, falar sobre a origem dos seres humanos é algo que sempre levanta algumas polêmicas, isto porque a pergunta “De onde viemos? ” é, talvez, o mais antigo questionamento que move a busca do homem por dar sentido à sua existência. Este é um assunto superdelicado (já que envolve perspectivas muito diferentes) e o fato de eu ser apenas um mero Historiador, me coloca em “maus lençóis” para tentar explicar isso. Entretanto, sempre tem aluno que nos pergunta sobre isso e, além disso, é NECESSÁRIO falar um pouco sobre este assunto para poder dar sentido ao processo evolutivo do ser humano – sobre o qual vou escrever em outro momento. Assim, vou apontar aqui as duas principais hipóteses, consideradas no Ocidente sobre a origem da vida. São elas:

Criacionismo: hipótese mitológica que entende a vida como criação de seres superiores e divinos. No Ocidente, esta perspectiva está em grande parte baseada nos escritos da Bíblia, a qual tem seus registros nos antigos manuscritos hebraicos. A mais antiga fonte histórica desta narrativa remonta aproximadamente ao século IV a.C., com o Codex Sinaiticus. Estes escritos foram encontrados durante o século XIX, no Monastério Santa Catherine (na base do Monte Sinai) e mantém 800 das 1400 páginas que possuía originalmente. Nele podemos encontrar metade da história narrada pela Torá (a Bíblia hebraica).

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Detalhe uma das 800 páginas escrita à mão, remanescentes do Codex Sinaiticus. Claro, né! Não existia máquina de escrever ou computador naquela época… ¬¬ FONTE: CodexSinaiticus.org

Evolucionismo: perspectiva que parte da teoria da evolução da vida no planeta. O primeiro registro desta perspectiva pode ser encontrado já no início do século XIX, com a obra  “Filosofia Zoológica” (1809), do naturalista francês Jean-Baptiste de Lamarck, que procurou desenvolver fundamentos teóricos para a biologia ao defender a hipótese de “progressão” dos organismos para se adaptarem ao meio em que viviam por meio da transmissão de caracteres adquiridos, que se dariam segundo sua teoria do uso e desuso. No “cabeçudíssimo” texto “A construção da oposição entre Lamarck e Darwin e a vinculação de Nietzsche ao eugenismo” o filósofo e professor associado da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Dr. Wilson Antonio Frezatti Júnior, afirma que esta é apenas uma simplificação da teoria de Lamarck que, na verdade contava com outros aspectos. Caso queira saber mais sobre isso, acesse o link que deixei para o texto, logo acima.

Esta teoria passou por importantes atualizações com o trabalho do cientista inglês Charles Darwin que, após longa viagem (1831-1836) pelo mundo a bordo do navio Beagle, publicou sua tese “A Origem da Espécies” pela primeira vez em 1859. Segundo este autor, as transformações dos seres vivos são os resultados de um longo processo de luta pela sobrevivência, no qual os mais aptos são capazes de  transmitir suas características aos descentes. Esta proposta ficou conhecida como a “seleção das espécies” e foi muito questionada à época de sua publicação. De qualquer forma, o nome de Darwin passou a ser associado a teoria do evolucionismo, segundo a qual toda a vida da Terra tem sofrido um processo evolutivo contínuo de seleção das espécies já há milhões de anos.

Uma das fantásticas tirinhas feita pelo carioca Carlos Ruas que usa do humor para comparar criacionismo e evolucionismo. FONTE: UmSábadoQualquer.com

Uma das fantásticas tirinhas feita pelo carioca Carlos Ruas que usa do humor para comparar criacionismo e evolucionismo. FONTE: UmSábadoQualquer.com

Quero deixar claro que nas escolas e universidades tomamos por base proposta darwiniana, segundo a qual os cientistas da procuram explicar que a vida teria sido originada na Terra há cerca de 3,5 bilhões de anos atrás. Algo que é muito bem explicado em artigos nos sites da Universidade de São Paulo e Universidade de Berkeley, os quais apontam a existências de microfósseis e estruturas rochosas (chamadas Estromatólitos) encontradas na região do Sul da África e Austrália como as evidências que reforçam esta hipótese.

Nesta ordem, os pesquisadores contemporâneos defendem, dentre outras teorias, que as primeiras moléculas orgânicas simples do planeta podem ter sido trazidas ao planeta por meteoros. Todavia, a hipótese mais defendida consiste na ideia estas moléculas teriam foram sintetizadas na atmosfera, caíram no planeta em forma de chuva e se organizaram em um “nucleotídeo composto de carbono hidrogênio, nitrogênio, oxigênio e átomos de fósforo” – que os autores definem como NUCLEOTÍDEOS SIMPLES.

estomatólitos

fragmento de estromatólito em corte lateral, que se encontra no Museu de Ciência Natural do Texas (EUA) e nos permite perceber as composições de suas camadas. Assim como os anéis das árvores, estas linhas dos estromatólitos nos permitem ter ideia da idade destes fósseis. Fonte: Wikimedia / Fotografia: Daderot

Com isso, os cientistas acreditam que estas formas de vida teriam sofrido um longo processo de evolução, à medida que desenvolveram “RNA auto-replicador”. Isto quer dizer que estas moléculas têm a capacidade de fazer cópias delas mesmas e se formam a partir de cadeias de nucleotídeos. Assim, estes compostos desenvolviam múltiplas funções, como armazenar e copiar informações genéticas e executar funções metabólicas. É neste ponto que está a “SUPER SACADA MALANDRA DA VIDA”, já que a auto-replicação possibilitou a ocorrência do processo de SELEÇÃO NATURAL por meio da existência de mutações de RNA SUPER-REPLICADORES que conseguiam realizar mais cópias que os outros. Estes, por sua vez, ao realizarem cópias com mutações passariam por um novo processo de seleção natural e assim por diante.

De acordo esta perspectiva, estas moléculas replicadores desenvolveram, ao longo de um processo de milhões de anos, e deram origem à “protocélulas”. Este ponto é importante porque a presença de uma membrana celular diferenciava o ambiente interno do ambiente externo e, com isso, acomodava os replicadores todos “juntinhos” num lugar “confortável”, no qual eles não precisavam mais competir entre si.

protocelula-heterotrophica

Modelo conceitual de uma protocélula heterotrófica. O crescimento da membrana da protocélula resulta da incorporação de compostos anfifílicos, os quais permitem a interação entre meios de polaridade diferentes e poder ser acionados por forças físicas intrínsecas ou extrínsecas. Nucleotídeos ativados externamente permeiam através da membrana protocelular e agem como substratos para a cópia de modelos internos. Replicação modelo completo seguido de segregação aleatória do material genético replicado leva à formação de proto-filha. A partir de (Mansy et al., 2008). FONTE: TheTalkOriginsArchive.org

No artigo “The Origin of Life” (A Origem da Vida) o geólogo suíço formado pela Universidade de Basel e pós-graduado pela Universidade de Joensuu, Moritz Albrecht, explica de maneira aprofundada como uma molécula “auto-replicante” pode ter dado início a um processo de evolução gradual que resultou na formação de moléculas quirais, como aminoácidos e açúcares, os quais são fundamentais para a formação de proteínas e carboidratos. Para os que não sabem (E EU TAMBÉM NÃO SABIA!) as moléculas quirais (ou homoquiralidade) é o nome dado à moléculas que são QUASE idênticas, pois apresentam direções diferentes num espaço tridimensional.

Eu só consegui entender essa “birosca” com ajuda de um artigo do Jornal da Unicamp, de setembro de 2002, no qual o professor do Instituto de Química (IQ) Marcos Eberlin fala que estas moléculas podem ser entendidas como se fossem “duas mãos espalmadas”, ou seja, suas propriedades físicas e químicas são as mesmas, EXCETO o sentido para o qual apontam. O sentido da molécula só pode ser notado por meio de estudos de espectrometria, que consiste em passar um feixe de luz polarizada pelas moléculas. [MEU DEUS!!! Agora meu cérebro derreteu de tanto pensar!!!]

Modelo representativo de homoquiralidade. FONTE

Modelo representativo de homoquiralidade. FONTE

Somente depois deste (volto a dizer) LOOOOOOOOOOOONGO PROCESSO, algumas células evoluíram e desenvolveram diferentes moléculas que realizavam funções específicas, como o DNA, as proteínas e i “importantão” RNA passou a cumprir o papel de mensageiro, que passava as informações do DNA para os “centros construtores de proteínas das células”. Depois te tudo isso, somente há cerca de 2 bilhões de anos atrás teriam surgido os primeiros organismos multicelulares como as famosas algas vermelhas, cujos fósseis podem ser encontrados pelos arqueólogos, nos dias de hoje!

Imagens capturadas com auxílio de microscópios que revelam variadas formas das algas vermelhas.

Imagens capturadas com auxílio de microscópios que revelam variadas formas das algas vermelhas – Bandiomorpha pubescens. Segundo o texto no site da USP “Se você olhar atentamente para a parte superior do fóssil do lado direito, você pode ver a divisão longitudinal que divide as células em forma de disco em uma série de células dispostas radialmente em forma de cunha, como se veria em uma alga vermelha bangiofita moderna.” FONTE: Paleobiol.GeoScienceworld.org

Galera! Só para terminar, eu PRECISO dizer para vocês que o evolucionismo, não anula a perspectiva religiosa de vocês, tanto que o próprio professor Marcos Eberlin se coloca como cristão e afirma que: “Minha grande motivação para fazer ciência é entender como Deus cria as coisas, usando as próprias leis da química e da física. Se você perguntar a outro cientista, ele poderá dizer que procura entender como se dá a criação pela natureza. Para mim, esse processo de separação dos aminoácidos e açucares é uma marca, a ‘assinatura química’ que Deus deixou nos seres vivos”.

Portanto, não acreditem que estou tentando converter ou desconverter vocês, mas apenas procuro demonstrar as teorias que envolvem seríssimos estudos sobre a origem do ser humano. Se eu falei alguma “groselha”, peço aos professores de plantão que me corrijam.

Se você quiser entender um pouco melhor a ideia de criacionismo, você pode acessar o Canal do Pirula, que apresenta um olhar interessante sobre esta teoria, com um tremendo trabalho de pesquisa.

#FicaADica!

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PaleoNerd

Me chamo Denis e sou professor de História. Concluí minha Graduação em Licenciatura em História na Universidade Estadual Paulista – UNESP, Câmpus de Assis-SP em 2009. Em 2014 concluí minha Especialização em Educação, Arte e Multimeios pela Unicamp. Atuo na área desde 2010, ministrando aulas para o Ensino Fundamental, Ensino Médio, Cursos Pré-Vestibulares, assim como, palestras e oficinas para jovens e adultos.

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