Dioramas: a versão analógica da realidade virtual

Dioramas: a versão analógica da realidade virtual

Dioramas são modelos de representação artística tridimensionais em escala real ou reduzida de cenas da vida real com a finalidade de instrução ou entretenimento. Geralmente são encontradas em museus, [especialmente aqueles voltados para História Natural], que representam o ambiente (habitat) em que determinado grupo de pessoas ou animais vive ou viveu, de maneira a contextualizar e complementar informação acerca do tema em exposição. Por exemplo, cervos, lobos e leões, pinguins e aves marinhas taxidermizados, cuidadosamente posicionados sobre habitats projetados para replicar lugares reais em estado selvagem, onde artistas e cientistas tinham feito trabalho de campo.

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Sala dos dioramas do Museu Americano de História Natural, EUA.

TOM WALLACE ¥ twallace@startribune.com  Assignment #20014866A Slug: Diorama11xx Date: October, 28 _ Mpls. artist Matthew Bakkom has created the first of four ÒBell Museum SocialÓ shows. his project includes incorporating film-noir dialogue into the museum's animal dioramas so it seems as if the animals are talking like thugs and detectives._ IN THIS PHOTO ] Minneapolis Artist, Matthew Bakkom has created the first of four ÒBell Museum SocialÓ shows. The coyotes diorama.

Diorama criado pelo artista Matthew Bakkom para o primeiro Bell Museum.

Estes recursos visuais foram muito importantes para que descobertas como dos cientistas naturalistas (como Darwin, Saint Hilaire, Lund, Humbolt e Lamarck que foram alguns dos que fizeram expedições pelo Brasil, por exemplo) fossem compreendidas em sua terra natal, onde chegavam carregados de animais e plantas nunca vistos e relatos de povos “exóticos”.

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Cena do filme “Uma noite no Museu, 2006”.

O filme “Uma noite no Museu” possui várias cenas bem humoradas em que o personagem de Ben Stiller interage com os “moradores” do museu, quando ganham vida à noite:

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Diorama da Sacagawea, em exposição no American Museum of Natural History. Fonte

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Cena do filme em que os “personagens” de diversos dioramas ganham vida.

Segundo a revista americana Newsweek, numa matéria em que entrevista Stephen Quinn, gerente de projeto sênior e artista de dioramas de longa data do Museu Americano de História Natural, o especialista aponta que os dioramas são o que poderíamos chamar da versão mais antiga de realidade virtual e completa dizendo que:

“Estes modelos consistem em animais taxidermizados (empalhados), adereços de primeiro plano e fundos panorâmicas artisticamente pintados. Mais do que apenas obras de arte, dioramas são fundamentais para a ciência; por décadas, artistas e cientistas foram a campo para coletar amostras e registros de seus arredores e replicá-los exatamente como eles são. Esse senso de lugar e esse senso de realidade e um encontro pessoal é tão forte que eles são um meio poderoso real para o ensino de ciência.”

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Stephen Quinn, durante processo de restauro num dos habitats do Museu Americano de História Natural.

Contudo, é muito provável que este método low-tech de promover aos visitantes do museu experiências “face-a-face com os espécimes” esteja em extinção e sejam substituídos por exposições interativas mais atraentes, que inclusive já falamos por aqui num post super legal sobre Museus interativos no Brasil.

Ainda segundo a matéria da Newsweek, a arte dos dioramas tem sofrido um declínio lento desde 1920 e atualmente os museus (bem como seus frequentadores) estão mais interessados em expositores interativos que recriam meticulosamente os ambientes virtuais do que nos modelos com animais empalhados de 100 anos de idade.

Nos últimos anos, vários museus optaram por não recriar seus dioramas quando se mudaram para novas instalações, incluindo a Academia de Ciências da Califórnia (que se mudou entre 2003 e 2008) e o Museu Nacional de História Natural Smithsonian.

No entanto, ainda pode haver esperança para os amantes da aquelas cenas clássicas do museu. Por exemplo, o Museu Field em Chicago recentemente recebeu mais de 155 mil dólares por meio de doações através de crowdfunding para construir um novo diorama – o que não acontecia há mais de 25 anos! E, apesar de não terem atingido o valor incial da meta de 170 mil dólares, felizmente o museu está construindo a exposição do habitat da hiena mesmo assim =D

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Bárbara GascóOlá, terráqueos! Sou Bárbara Gascó, conhecida também como Barbrão por minha conhecida habilidade em várias esferas, tipo faz-tudo =) e esposa do Sr. Denis Gascó, PaleoNerd. Sou Arquiteta e Urbanista e atuo na área desde 2012. Paralelamente, escrevo sobre Arquitetura+História e, como única representante do sexo feminino neste navio pirata, pautas acerca de questões sobre Feminismo e Igualdade de gêneros.

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