Uma senhora de 350 anos muito bem conservada!

Uma senhora de 350 anos muito bem conservada!

Em junho deste ano arqueólogos franceses realizaram uma escavação na capela Saint-Joseph, onde encontraram 800 sepulturas com esqueletos completos e cinco caixões de chumbo, que remontam ao século XVII. Dentro destes caixões, os pesquisadores esperavam encontrar apenas um pouco de pó e ossos, mas, quando abriram o quinto caixão, ficaram surpresos ao descobrirem o corpo quase intacto de uma mulher com 1,45m de altura!

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Datado com cerca de 350 anos, o cadáver foi identificado como uma nobre senhora bretã, chamada Louise de Quengo, que viveu na região durante o século XVII. Conhecida também como Senhora de Brefeillac, esta mulher faleceu durante o ano de 1656, com aproximadamente 60 anos de idade e os pesquisadores foram capazes de identificar o corpo por causa das inscrições em um relicário que continha num coração o nome de seu marido Toussaint de Perrien, que detinha o título de Cavaleiro de Brefeillac e havia falecido em 1649.

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Relicário com nome de seu marido, Toussaint de Perrien. Fonte: CNN

Com vestimentas em bom estado de preservação, o cadáver de Louise de Quengo foi descoberto em um caixão de chumbo selado hermeticamente, o qual foi colocado em uma tumba de pedra no interior da capela do convento na cidade ocidental de Rennes.

O arqueólogo que presidiu as escavações, Rozenn Colleter, do Institute National de Recherches Archaeologiques Préventive (Instituto Nacional de Pesquisas Arqueológicas Preventivas) afirmou, em entrevista ao The Guardian que considerava esta descoberta muito interessante, já que não havia apenas um cadáver bem preservado, mas uma massa de material que ainda estava macia e úmida, que contava com a presença, inclusive, de sapatos e um chapéu. Isto porque o caixão foi completamente selado e, com isso, terminou por preservar tudo que havia dentro dele.

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Vestes religiosas encontradas com o corpo. Fonte: CNN

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Calçados encontrados em excelente estado de conservação. Fonte: CNN

Entretanto os pesquisadores precisaram correr contra o tempo, uma vez que abriram o esquife (estava cansado de escrever caixão, então resolvi usar um sinônimo… POOTZ! Escrevi de novo ¬¬), pois o contato com o ambiente desencadeia novamente o processo de decomposição que foi iniciado há 350 anos atrás. Por este motivo, os arqueólogos precisaram de 72 horas para realizar um processo gradual de diminuição da temperatura do corpo até os 4ºC, como forma de preservar este fantástico achado. A partir de então, o radiologista e médico legista Fabrice Dedouit realizou um exame mais detalhado, por meio do qual concluiu que esta “senhorinha” sofria de pedras nos rins e aderências pulmonares, além de ter seu coração retirado com verdadeira “maestria cirúrgica” – como afirmou o especialista.

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O caixão da Senhora de Brefeillac foi flagrado em uma das paredes de sustentação do convento dois anos antes das escavações, mas não podia ser removido, pois havia o risco de danificar o edifício. Por este motivo só em março deste ano que as equipes arqueológicas encontraram um meio de tirá-lo do seu lugar. De Quengo estava vestida com vestes religiosas simples: uma capa, Casula (veste litúrgica cristã), um hábito marrom em lã grossa, uma camisa de linho puro, polainas de lã e sapatos de couro com sola de cortiça. Além do mais, um escapulário foi envolto em torno de seu braço direito e suas mãos estavam unidas e segurando um crucifixo. Por fim, seu rosto estava coberto com uma mortalha, dois gorros e um capuz.

Os pesquisadores, que incluíam especialistas do National Molecular Anthropological Laboratory (Laboratório de Antropologia Nacional Molecular), dizem que é possível a nobre entrou para o mosteiro (onde está situada a capela) depois de se tornar viúva.

“Como os arqueólogos que estamos acostumados a encontrar coisas interessantes, mas este é o tipo de achado que aconteceu uma vez na carreira. É um sonho para encontrar algo tão excepcional, tão incomum. ” (Colleter)

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PaleoNerd

Me chamo Denis e sou professor de História. Concluí minha Graduação em Licenciatura em História na Universidade Estadual Paulista – UNESP, Câmpus de Assis-SP em 2009. Em 2014 concluí minha Especialização em Educação, Arte e Multimeios pela Unicamp. Atuo na área desde 2010, ministrando aulas para o Ensino Fundamental, Ensino Médio, Cursos Pré-Vestibulares, assim como, palestras e oficinas para jovens e adultos.

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