Imigração: De onde viemos, pra onde vamos?

Imigração: De onde viemos, pra onde vamos?

Hoje pela manhã foi publicada uma notícia sobre dezenas de corpos de imigrantes mortos encontrados num caminhão frigorífico na Áustria. Esta é apenas uma das várias notícias recentes a respeito da crise da imigração na Europa.

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Esta é uma questão extremamente delicada, complexa e polêmica sobre a qual este artigo não pretende apresentar uma solução – até porque é possível que não haja, pelo menos de imediato. Mas, sim, promover a reflexão e o debate acerca do assunto. Afinal, esta é uma realidade hoje, mas na verdade é uma atividade que existe desde que o homem habita a Terra.

A luta pela sobrevivência é o principal motivo que leva centenas de milhares de pessoas saírem de sua terra natal e arriscarem suas vidas por caminhos desconhecidos e extremamente perigosos – e ainda assim apostar que os riscos (de morte, prisão, extradição) valham a pena. Quando se trata de sobrevivência, falamos de miséria, fome, guerras, perseguição política e religiosa. Essas pessoas enfrentam roteiros de terror atravessando desertos à pé, navegando por dias em porões de navios cargueiros e até em botes sujeitos à fome, desidratação e ao naufrágio, se escondendo em trens durante à noite, ou em caminhões (como na notícia acima) na tentativa de uma vida melhor – e é claro que nem todos chegam vivos.

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Refugiados curdos vindos da Síria, na Turquia. Fonte

Como dito anteriormente, a migração/imigração, é praticamente intrínseca ao homem que busca, desde o princípio, terras mais férteis, recursos hídricos, foge do frio ou do calor extremos e de conflitos para continuar a viver. Ou você tá achando que o as primeiras grandes migrações aconteceram por acaso? Do tipo “Ah, tá meio chato aqui né? Vamos sair por aí e ver no que dá?!”. Não.

E o choque entre culturas é algo tão antigo quanto este processo, sobre o qual estamos falando. Afinal, sua tribo “vai muito bem, obrigado” até que outro grupo chegue e passe a competir com você por território, água e alimento e “pra ajudar” ainda tenha outros hábitos e formas de comunicação. Tá feito o enrosco!

A Europa, por si própria, vive uma crise econômica desde 2008 e desde então encontra dificuldades para manter emprego e renda de seus conterrâneos. Se para alguns países a unificação das moedas para o Euro foi vantajosa, para outros nem tanto e contribuiu para o desequilíbrio das finanças. Grécia, Espanha e Portugal são exemplos deste efeito e andam mal das pernas há um bom tempo e mesmo assim, da mesma forma que outros países principalmente Itália, França, Turquia e Leste Europeu, recebem imigrantes que não param de chegar por todos os lados: céu, mar e terra.

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Imigrantes afegãos em travessia do mar Egeu até a Grécia. Fonte

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Caminhão frigorífico encontrado na Áustria com pelo menos 20 corpos de imigrantes. Fonte

Os refugiados chegam a Europa geralmente por meio de “facilitadores” ou mais propriamente chamados de “traficantes de pessoas” pela Itália, Grécia e Leste Europeu. Nos últimos meses, há um grande contingente também adentrando pelo Eurotúnel (que liga o Reino Unido à França), em Calais e por este motivo estes países chegaram a pedir ajuda ao Conselho da União Europeia para elaboração de uma medida em relação à imigração.

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Centenas de pessoas atravessam o Canal da Mancha ilegalmente da França à Inglaterra ou vice-versa. No caso desta imagem, imigrantes caminham no Canal da Mancha: cerca de 400 imigrantes em situação ilegal foram impedidos de cruzar o túnel, enquanto 180 foram interceptados e expulsos após chegarem ao destino. Fonte

Bem, da mesma maneira que o homem europeu buscou por novas oportunidades em terras longínquas pelos mais diversos motivos (comércio, expansão territorial, exploração, perseguição e guerras) em diferentes épocas, agora o caminho é inverso. Os imigrantes vêm de todo o mundo, contudo o contingente mais recente é em grande parte de refugiados da fome e da guerra, provenientes do Norte da África (Líbia, Somália e Tunísia) e Oriente Médio (Guerra da Síria sobre a qual já falamos aqui) e Afeganistão.

Mapa

Mapa da rota de acesso à Europa feita por traficantes de pessoas e refugiados. Fonte

É quase impossível um país ou mesmo um continente todo absorver centenas de milhares de pessoas em situação de risco de vida, sob o guarda-chuva humanitário. Principalmente durante crise econômica, como é o caso da Europa.

O desafio agora está em como lidar com as “invasões”, o que há alguns anos parecia ser tão natural do ponto de vista dos cidadãos do Velho Mundo, quando invadiam outros territórios e impunham sua cultura, língua e religião. O mundo dá voltas. Mesmo.

A resistência ao imigrante (e às políticas que o defende) tem como “escudo” a bandeira do patriotismo, a manutenção da tradição e cultura e a proteção da economia europeia (leia-se menor competição por trabalho) e gera, numa outra escala, os crimes de ódio/raciais.

Outdoor em Portugal com referência xenofóbica. Fonte

Outdoor em Portugal com referência xenofóbica. Fonte

E isto acontece não só na Europa, mas também nos Estados Unidos e mais recente e timidamente na Austrália, que frequentemente são destinos de imigrantes. Preconceito contra imigrantes bem como políticas públicas de proteção são tópicos frequentes.

Ah, se você acha que esta é uma realidade muito longe da nossa, então o que dizer sobre os ataques xenofóbicos a haitianos no Brasil? Sim! Existem ataques a afrodescendentes, nordestinos, mulheres e grupos que são considerados “minorias” em nosso país.

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Mas não chega a ser irônico o preconceito xenofóbico? Principalmente no Brasil e Estados Unidos, onde a grande maioria da população, mesmo que num grau distante, É DESCENDENTE de imigrantes, sejam eles europeus, japoneses, chineses, africanos?!. Se formos falar em cultura e origens temos que devolver tudo para os índios e pedir desculpas; afinal, eles sim que eram os donos nativos dessa bagaça!

É importante entender que a questão da imigração e resultado de um processo histórico e hoje atinge proporções impressionantes. Por este motivo, deixo aqui um espaço para reflexão e o debate com a música “O mundo”, de Andre Abujamra, que tem em seu refrão todos somos filhos de Deus, só não falamos a mesma língua”.

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Bárbara Gascó

Olá, terráqueos!

Sou Bárbara Gascó, conhecida também como Barbrão por minha conhecida habilidade em várias esferas, tipo faz-tudo =) e esposa do Sr. Denis Gascó, PaleoNerd.

Sou Arquiteta e Urbanista e atuo na área desde 2012. Paralelamente, escrevo sobre Arquitetura+História e, como única representante do sexo feminino neste navio pirata, pautas acerca de questões sobre Feminismo e Igualdade de gêneros.

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