Conheça o #MUSEUdeMEMES!

Conheça o #MUSEUdeMEMES!

Você sabe o que é um meme?

A palavra meme vem do grego, “mimos” e significa “imitador, mímico, ator”. Este conceito teve origem na década de 1970, quando o conhecido (e controverso) autor Richard Dawkins procurou desenvolver um termo para tentar explicar o que acreditava ser um processo evolutivo da cultura, fundamentado na genética do homem. Neste sentido, este autor defendia que da mesma forma que os genes eram os principais responsáveis por replicarem o conteúdo o material genético dos organismos vivos, deveria haver, outra unidade de replicação que fosse diferente dos genes e, ao mesmo tempo, responsável pela seleção e transmissão de conteúdos inscritos em nossa cultura. Desta forma, os memes são imagens tiradas de séries, filmes ou pessoas comuns que caem na internet e acabam “viralizadas”, ou seja, são replicadas de diversas formas e se espalham por tudo quanto é site e rede social.

Se você ainda não “se ligou” no que é o meme, vou deixar uns aqui pelo texto. Veja se você reconhece alguma dessas imagens?

Yao Ming é um conhecido jogador na NBA que virou um meme por sua peculiar expressão, ao dar risada. FONTE

“meme (uma abreviação do grego μίμημα [míːmɛːma]) · é um fenômeno típico da internet, e pode se apresentar como uma imagem ou analogia, uma frase de efeito, um comportamento difundido, um desafio. memes são geralmente efêmeros mas no #MUSEUdeMEMES eles se tornam memória”. – Yao Ming é um conhecido jogador na NBA que virou um meme por sua peculiar expressão, ao dar risada. FONTE: WIKIMEDIA

Não sei quanto a vocês, mas, toda vez que vou na casa de um amigo próximo, acabamos gastando cerca de uma hora dividindo a tela de um computador para trocar informações sobre músicas, vídeos, gifs e imagens que queremos apresentar um para o outro. Neste momento, acabamos nos apresentando uma série de memes que, de alguma maneira, costumam fazer humor com aspectos do cotidiano ou com notícias recentes. Isso é uma prática que tem ficado mais comum a cada dia e cresce diariamente com a enorme quantidade de aplicativos e redes sociais que nos permitem compartilhar com as pessoas coisas interessantes – ou pura bobagem mesmo!

MAS! E se eu te dissesse que hoje existe uma galera que se dedica exclusivamente a entender o processo de constituição e disseminação dos memes na internet?

Tela de entrada do site #MUSEUdeMEMES.

Tela de entrada do site #MUSEUdeMEMES.

No início deste mês, a Revista de História da Biblioteca Nacional (RHBN) publicou a notícia sobre o lançamento de um museu virtual da Universidade Federal Fluminense (UFF), que é chamado Museu de Memes e consiste num centro de memória  destinado a formar um acervos destas imagens que é acompanhado por textos que explicam de onde elas vieram.

Segundo a galera do Museu de Memes estas imagens fazem parte de tudo que envolve nosso ambiente cultural e vão desde músicas cantadas na infância até o uso de objetos cotidianos como parte de uma moda. Pois é! O “parabéns pra você” e a calça jeans furada podem ser entendidas como memes, pois são aspectos culturais que foram apropriados por todo o mundo e, de alguma forma, conseguiram se transformarem em referências para as pessoas. Com isso, todas essas ideias, de alguma forma, competiriam – na visão de Dawkins – pela sobrevivência e teriam suas características perpetuadas no momento em que fossem replicadas em outros meios. Algo que ganhou muito sentido entre os nerds dos anos 1990 e 2000, que presenciaram as primeiras “viralizações” de ideias pela internet.

O Dinofauvo Fanho é um meme que ficou tão popular na internet, que agencias de publicidade chegaram a se apropriarem dele para propagandas. Deixo aqui o texto de introdução ao texto que explica esse meme lá no #MUDEUdeMEME. Quero ver quem consegue ler o primeiro paragrafo sem rir! FONTE

O Dinofauvo Fanho é um meme que ficou tão popular na internet, que agencias de publicidade chegaram a se apropriarem dele para propagandas. Deixo aqui o texto de introdução ao texto que explica esse meme lá no #MUDEUdeMEME. Quero ver quem consegue ler o primeiro paragrafo sem rir! “Fofê conhefe o Dinofauvo? O Dinofauvo Fanho que fem floodando af redef fociaif é fó maif um dof integvantef da fauna dinofáuvica da intevnet. Além do dinofauvo, pov exemplo, temof também o Dinofauro Azul, o logo da Mozilla ou as telas de evo do Google Chvome. Sim! Dinofauvos pov todof of ladof!!! Fofê não eftá entendendo nada do que eftamof falando? É que esses dinofauvos pavefem tef um jeitinho todo pafticulaf de fe efprefar…” FONTE

Você nunca teve aquele momento em que, ao ver o modo de vestir, falar ou agir de uma pessoa, se pegou a afirmar indignado (a): Ela está me imitando! Bem, não é dos dias de hoje que os seres humanos se imitam e a própria tentativa de entender este processo não é algo tão novo como você costuma pensar, já que é parte dos estudos da sociologia desde a fundação desta ciência, no século XIX.

Enfim, acontece que o escritor, jornalista e professor da UFF, Viktor Chagas, decidiu se reunir em 2011 com um grupo de orientandos seus (jovens pesquisadores em processo de formação, na Universidade) para dar início a um inovador projeto no seu curso de Estudo de Mídias. Naquele ano, ele formou grupos chamados #memeclubes, nos quais esta galera se reunia para fazer apresentações de “sessões” de memes abertas à comunidade  e, em seguida, debater sobre o material apresentado.

Desta maneira, desde aquela época, o projeto cresceu pra caramba e a constante procura por informações e novos memes gerou um enorme acervo que Chagas e seus alunos resolveram disponibilizar on line. Além disso, os próprios alunos em Estudos de Mídia/UFF são os responsáveis por produzir conteúdo para o acervo, assim como por organizar os debates que receberam a denominação de #memeclubes.

Nem os personagens da série Game of Thrones escaparam do "Raio Memetizador". FONTE

Nem os personagens da série Game of Thrones escaparam do “Raio Memetizador“. FONTE

Legenda: Em entrevista para a RHBN, Chagas afirma: “Acho muito difícil compreender meme enquanto unidade de reprodução [como propõe, a partir de analogia genética, o teórico Richard Dawkins, autor do termo dos anos 1970]. Eu entendo como conjunto, coleção, acervo. Daí a ideia de museu”.

Assim, o meme pode ser compreendido como uma “nova forma de letramento midiático” e, como mostra o texto “Raio Memetizador” da RHBN, envolve jovens que estão completamente envolvidos em estudar toda esta forma de linguagem. Como é o caso da Fernanda “Desastre” Freire que tem pesquisado sobre a forma como a internet tem sido relacionada às eleições brasileiras e, durante a entrevista, chegou a afirmar: “memes fazem parte da cultura popular e corroboram de alguma forma para que o eleitor tome uma posição”.

Desta maneira, podemos ver que os estudos acadêmicos nas ciências humanas estão cada vez mais engajados em entender os processos de comunicação na internet e, por este motivo, já podemos nos orgulhar de contar com nossos pioneiros nestas novas formas de entender as formas de ser e pensar do ser humano contemporâneo. Algo que, junto com outros trabalhos inovadores, como o dos jovens historiadores do podcast Sobre História, irão nos fornecer informações para lidar melhor com o caótico oceano de informações que reside nessa Caixa de Pandora, que é a internet.

Campanha do "Dinofauvo" da Fundação SOS Mata Atlântica.

Campanha do “Dinofauvo” da Fundação SOS Mata Atlântica. FONTE

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PaleoNerd

Me chamo Denis e sou professor de História. Concluí minha Graduação em Licenciatura em História na Universidade Estadual Paulista – UNESP, Câmpus de Assis-SP em 2009. Em 2014 concluí minha Especialização em Educação, Arte e Multimeios pela Unicamp. Atuo na área desde 2010, ministrando aulas para o Ensino Fundamental, Ensino Médio, Cursos Pré-Vestibulares, assim como, palestras e oficinas para jovens e adultos.

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