O Exército Fantasma americano e a arte de ludibriar o inimigo

O Exército Fantasma americano e a arte de ludibriar o inimigo

Não é de hoje que somos enganados pela fantasia do teatro, que nos faz “acreditar” em coisas impossíveis, como levantar um tanque de guerra. Os americanos, já abastecidos com o know-how de Hollywood fizeram o mesmo durante a Segunda Guerra Mundial.

Em 6 de junho de 1944, um grupo de ciclistas franceses assistia com admiração como quatro soldados americanos poderiam suspender um tanque Sherman de 40 toneladas e rotacioná-lo no ar. “Os americanos são muito fortes”, disse brincando um dos soldados.

O exército dos Estados Unidos tinha realmente criado uma equipe de super-humanos “Capitão America”? Embora não faltasse vontade, até hoje não conseguiram! huauhauh
Não, na verdade eles tinham criado uma unidade super-secreta chamada 23º Tropa Especial, formada por aproximadamente mil artistas plásticos, designers e técnicos de áudio.

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Emblema da “Ghost Army”, como foi apelidado o 23º Special Troop

A missão deles era criar uma divisão do exército “enganosamente realista” composta por uma artilharia completa de INFLÁVEIS: tanques, canhões, jipes, caminhões e aviões.

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Porta-aviões “pega-tonto” hauhuhauha Fonte

Em apenas algumas horas, poderiam montar aeroportos cheios de aviões de borracha, tanques, porta-aviões carregados com jipes de borracha e formações de batalha com fileiras e fileiras de tanques infláveis. Para completar a ilusão, alto-falantes de 500 libras montados em Jeeps transmitiam uma enxurrada de efeitos sonoros de combate. Os artefatos quase cômicos tinham um propósito sério: desviar as forças alemãs da ação “real” e dar vantagem às tropas aliadas .

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Muitos membros da 23ª eram estudantes de arte, recrutados de escolas em Nova York e Filadélfia, incluindo estilista Bill Blass, pintor Ellsworth Kelly e o fotógrafo Art Kane. Outros eram atores, como o Capitão Fred Fox, ex-membro da Triangle Club, grupo de comediantes da Universidade de Princeton.

Fox sabia que os tanques de borracha não seriam suficientes para convencer o inimigo. Ele chegou a afirmar que considerava a Tropa Especial como “um show itinerante” e que “deveriam estar prontos a qualquer momento”. As apresentações eram feitas com a maior precisão e atenção aos detalhes. Eles incluem o cenário adequado, adereços, figurinos, diretores, diálogo e efeitos sonoros.

Devemos lembrar que estamos nos apresentando a um público muito crítico e atento de rádio, no solo e aéreo. E todos eles devem ser convencido. Capitão Fred Fox

E funcionou. De acordo com relatórios recentes, o “Exército Fantasma”, como era conhecido, encenou mais de 20 operações durante a guerra. Acredita-se que chegou a salvar entre 15.000 e 30.000 vidas americanas e eles fizeram tudo isso sem seus companheiros nunca saberem de sua existência.

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Exército Fantasma em ação

Comparativamente, também tivemos uma situação parecida no Brasil, em que tivemos de abusar da criatividade na guerra e fingir estarmos “armados até os dentes” #sóquenão. Durante a Revolução de 32, como mencionamos neste post, a matraca foi utilizada com a finalidade de simular o som de metralhadoras, já que o Batalhão Paulista estava desabastecido com armamentos. E até que foi um bom quebra-galho…

O Exército Fantasma americano permaneceu “top secret” até 1985 – 40 anos após o fim da Segunda Guerra Mundial. Recentemente foi feito até um documentário sobre a atuação da “Ghost Army”. Vale a pena dar uma olhada no site oficial.

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Bárbara Gascó

Olá, terráqueos!

Sou Bárbara Gascó, conhecida também como Barbrão por minha conhecida habilidade em várias esferas, tipo faz-tudo =) e esposa do Sr. Denis Gascó, PaleoNerd.

Sou Arquiteta e Urbanista e atuo na área desde 2012. Paralelamente, escrevo sobre Arquitetura+História e, como única representante do sexo feminino neste navio pirata, pautas acerca de questões sobre Feminismo e Igualdade de gêneros.

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