A vida em Londres no século XVII

A vida em Londres no século XVII

Durante o início do século XVII, a morte da rainha Elizabeth I foi seguida pela coroação de seu parente mais próximo, o rei da Escócia Jaime I. Este fato marcou o início da Dinastia Stuart no poder da Inglaterra, assim como o início do processo de formação do Reino Unido da Grã-Bretanha, por meio da unificação dos sistemas legislativos e jurídicos destes reinos.

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A Rainha Elizabeth I foi a última de sua dinastia, já que procurou manter seu título através da castidade. Fato que a fez ficar conhecida como a “rainha virgem”. Fonte

Todavia, os interesses absolutistas deste governante levaram-no a tomar atitudes como a criação de novas taxas e aumento de impostos, sem consultar os membros das Câmaras dos Comuns e dos Lordes. Algo que, associado à sistemática perseguição religiosa contra católicos e puritanos favoreceu o desenvolvimento de uma grande insatisfação popular.

Toda esta situação levou a burguesia inglesa a liderar uma série de  manifestações e revoltas, que eram entrecortadas por ordens reais de dissolução do Parlamento.  Desta forma, este longo processo de guerras civis foi segmentado em uma série de períodos, os quais terminaram por impulsionar inovações importantes nos âmbitos da política e economia inglesas. São eles;

  • Revolução Puritana: momento em que ocorrem diversas batalhas entre os exércitos dos cavaleiros e os exércitos burgueses dos “cabeças-redondas”. Este conflito termina com a decapitação do rei e consequente declaração da República.
  • República: único período da história inglesa em que esta forma de governo é posta em prática por dez anos. Todavia, Oliver Cromwell acaba instaurando uma ditadura, durante a qual realiza o Ato de Navegação (1651) e, com isso, acaba entrando em guerra com a Holanda. Com a morte de Cromwell, seu filho Ricardo foi deposto pelos membros do Parlamento.
  • Restauração Stuart: Momento em que os membros do Parlamento decidem restaurar a Dinastia Stuart, contudo, logo os grupos entram em novos conflitos, que terminam com a dissolução do Parlamento.
  • Revolução Gloriosa: insatisfeitos com a situação, os burgueses orquestram um golpe de estado com o príncipe holandês Guilherme de Orange e depõem o rei sem que houvesse derramamento de sangue. Orange assina a Declaração de Direitos, que estabelece o sistema de monarquia parlamentarista na Grã-Bretanha e, com isso, finaliza o processo de mudanças políticas no país.

 Mas você já se perguntou como era a vida das pessoas que viviam em Londres, durante este período? O que comiam, bebiam ou de que forma as pessoas se divertiam neste passado? Veja, a seguir, alguns aspectos do cotidiano destas pessoas:

Mapa de londres em 1665, feito por Wenceslau Hollar. Este autor era conhecido por servir diversas famílias nobres e vivia em Londres durante a "Guerra Civil Inglesa" até 1642, quando foi para a Antuérpia, na Bélgica. FONTE: Wikimedia

Mapa de londres em 1665, feito por Wenceslau Hollar. Este autor era conhecido por servir diversas famílias nobres e vivia em Londres durante a “Guerra Civil Inglesa” até 1642, quando foi para a Antuérpia, na Bélgica. FONTE: Wikimedia

Alimentação

As classes altas da sociedade inglesa costumavam desfrutar de refeições com enorme quantidade de proteínas e nenhum tipo de produtos agrícolas. Por este motivo, estas pessoas começavam o jantar à meio-dia e era comum cobrirem a mesa com peixes, carnes e tortas doces. Após comerem, eles retiravam os pratos e começavam a refeição  de novo, com exatamente a mesma mistura. Em seguida, frutas e doces eram servidos em outra mesa que, normalmente era colocada no jardim – o café da manha praticamente não existia para a maioria das pessoas.

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Saneamento Básico

 Londres tinha esgotos há séculos, mas eles só transportavam água de superfície. Os excrementos caíam em uma fossa sob as casas ou nos jardins, que em teoria, deveriam ser limpos de forma regular. Além disso, havia um sistema para coleta de lixo das ruas mas, de alguma forma, sempre haviam cães e gatos mortos ou comida rejeitada, assim como uma enorme quantidade de fezes de animais espalhados pelas ruas. A água era comprada de “watercarriers” (carregadores) mas, se você fosse muito pobre, terminaria por coletar a partir do rio ou de algum dos poucos poços públicos que existiam na cidade – que não tinham nenhum tipo de tratamento. Se você fosse muito rico poderia comprar sua própria companhia de água mas, os canos de suprimento de água costumavam ser feitos em chumbo – que é tóxico pra caramba. Agora, se para limpeza da casa, os londrinos do século XVII tinham a fórmula bem incomum, composta por cinzas e urina.

Vista de Londres, desde Bankside. Wenceslaus Hollar (1647)

Vista de Londres, desde Bankside. Wenceslaus Hollar (1647)

 Medicina

Assim com os ancestrais da antiguidade, os ingleses ainda faziam uso das sangrias, que consistem em realizar cortes no corpo do doente e colocar sanguessugas no lugar para sorverem o sangue. Esta prática estava baseada nateoria dos “quatro humores” – sangue, cólera e dois tipos de bile – que precisavam ser balanceados entre si. Além desse tratamento, haviam outras práticas que envolviam o uso de laxantes e pílulas feitas com itens raros, como a saliva em jejum, musgo que cresce em um crânio sem sepultura, caracóis comuns e cascas de madeira.

Para os mais pobres haviam hospitais como o St. Bartholomew´s, em Simithfield, que costumavam ser limitados a oferecer descanso e comida aos doentes. Nesta época ainda não existiam antissépticos ou anestésicos (a não ser por ingestão de álcool ou ópio), assim como nenhum conhecimento em psicologia. A única intervenção cirúrgica era remover pedra na bexiga – um doloroso e comum problema da época, relacionada à péssima alimentação que mostramos.

Além disso, muitas pessoas costumavam acreditar no poder de cura da magia, como era o caso do senhor Pepys, que atribuiu sua boa saúde a usar o pé de uma lebre em torno de seu pescoço.

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Retrato de Samuel Pepys, por J. Hayls. Óleo sobre tela, National Portrait Gallery, Londres.

Sexo

Ter diversos parceiros não era algo comum para aquela época, pois os rígidos preceitos puritanos ainda era muito seguidos pelas pessoas. A taxa de nascimentos ilegais, segundo os estudiosos permaneceu baixa, apesar de não existir nenhum método contraceptivo da época, conhecido pelos estudiosos. Um homem que quisesse sexo seguro poderia envolver seu pênis com uma “bainha” feita de entranhas de animais ou linho, mas isso não era nada eficiente como contraceptivo.

A prostituição era abundante e, com isso, a sífilis chegou a devastar a Europa já desde o século XVI. O tratamento para ele era horrível e improvável ter sucesso: mercúrio, que pode muito bem matar o paciente antes da própria doença!

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Ilustração mostra como seria uma camisinha de intestino de porco. Segundo Collier, pesquisadora sobre o assunto, ainda há divergências sobre qual seria a data da camisinha mais antiga preservada (Foto: Arte/G1)

Entretenimento

Para os ingleses do século XVII, não havia nada melhor do que uma boa execução, a qual deveria estar repleta de muito sangue e entranhas agradavelmente espalhadas por todo o lado! Para fazer um passeio de família haviam os animais do zoológico, a Torre de Londres (Tower of London) ou os agradáveis passeios nos parques reais, assim como passeios de barco rio acima e ir aos teatros recém-inaugurados para acompanhar as estreias das peças em cartaz.

Para os homens era possível visitar as novas coffee-houses (que surgiram neste período) ou ir ao bordel flutuante que ficava mal disfarçado como um restaurante, em frente à Somerset House.

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Somerset House, em Londres

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PaleoNerd

Me chamo Denis e sou professor de História. Concluí minha Graduação em Licenciatura em História na Universidade Estadual Paulista – UNESP, Câmpus de Assis-SP em 2009. Em 2014 concluí minha Especialização em Educação, Arte e Multimeios pela Unicamp. Atuo na área desde 2010, ministrando aulas para o Ensino Fundamental, Ensino Médio, Cursos Pré-Vestibulares, assim como, palestras e oficinas para jovens e adultos.

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