Breve História da Cerveja

Breve História da Cerveja

Não sei quanto a vocês, mas definitivamente adoro tomar uma boa cerveja no fim de semana! E neste fim de semana será realizado em SP o 1º Festival de Cerveja Artesanal lá na Praça das Artes. Por este motivo, decidi fazer um texto rápido que remonta alguns aspectos da história desta bebida que é uma constante companheira da humanidade. Portanto, vamos lá!

4000 a.C – Registros apontam que os sumérios já realizavam o processo de fermentação em um tipo de pão para criar uma forma de polpa fermentada que tinha efeito intoxicante e era chamada de “bebida divina” (“divine drink”)

Baixo relevo sumério que apresenta cena de banquete, na qual as duas figuras à direita estão bebendo em canudos de palha inserido numa jarra sobre uma mesa. Sob a cadeira de um dos personagens, podemos ver um cachorro que repousa próximo do convidado.

Baixo relevo sumério que apresenta cena de banquete, na qual as duas figuras à direita estão bebendo em canudos de palha inserido numa jarra sobre uma mesa. Sob a cadeira de um dos personagens, podemos ver um cachorro que repousa próximo do convidado. FONTE

3000 a.C – Os babilônicos já produziam mais de 20 tipos diferentes de cerveja. A primeira cerveja era fosca e não filtrada. Além disso, esta cerveja era com auxílio de um canudo feito com palha, para evitar que os sólidos da cerveja pudessem ser sorvidos, já que eram muito amargos.

Acredita-se que a cerveja tenha se desenvolvido na civilização babilônica, por volta de 4.200 a.C. com a utilização de um pão que era assado especialmente para esse propósito, depois esmagado e misturado com cevada. Além disso, estas pessoas teriam utilizado mel para aumentar o teor alcoólico. FONTE

Acredita-se que a cerveja tenha se desenvolvido na civilização babilônica, por volta de 4.200 a.C. com a utilização de um pão que era assado especialmente para esse propósito, depois esmagado e misturado com cevada. Além disso, estas pessoas teriam utilizado mel para aumentar o teor alcoólico. FONTE: BrewningMuseum.ORG

1550 a.C – Os egípcios sempre foram conhecidos como grandes cervejeiros. Tanto que foram encontrados cerveja e malte nas tumbas dos faraós, como alimento para a vida pós-morte. Isto porque a cerveja era tida com um alimento muito energético e, inclusive, era utilizada como parte do pagamento para os homens que trabalhavam nas pirâmides.

Modelo de padaria e cervejaria encontrado em túmulo egípcio, datado entre 2009 a.C. - 1998 a.C. - Tebas. FONTE: Ancient.eu

Modelo de padaria e cervejaria encontrado em túmulo egípcio, datado entre 2009 a.C. – 1998 a.C. – Tebas. FONTE: Ancient.eu

100 d.C – A cerveja era consumida de forma intense por todo o Império Romano. Este povo sempre teve maior interesse por vinho e, por este motivo, introduziam o cultivo de uva por grande parte do império. Apesar do cultivo desta planta ter atingido até o sul da Inglaterra, os habitantes desta região tinham maior tendência a beber cerveja.

Tabuletas romanas que estão em esposição no British Museum produzidas no forte onde estava a Muralha de Adriano, na Nortúmbria entre os séculos I e II. Estas tabuletas carregavam o requerimento por dinheiro para comprar 5.000 medidas de cereais que seriam usados para a produção de cerveja. FONTE: British Museum

Tabuletas romanas que estão em esposição no British Museum produzidas no forte onde estava a Muralha de Adriano, na Nortúmbria entre os séculos I e II. Estas tabuletas carregavam o requerimento por dinheiro para comprar 5.000 medidas de cereais que seriam usados para a produção de cerveja. FONTE: Wikimedia

A cerveja, neste período, precisava ser consumida fresca e teria um aspecto nebuloso, além de produzir pouca ou nenhuma espuma. Para melhorar o gosto e manter as propriedades, ervas amargas e especiarias possivelmente eram adicionas à mistura.

Era Medieval – Durante este período os maiores cervejeiros eram, com toda certeza os monastérios. Uma cerveja refrescante sempre era bem vinda durante o dura estilo de vida e poderia ser apreciada durante os momentos de festividades. Os monges logo desenvolveram um gosto pela intensidade alcoólica das ale´s e deixaram registros de que era permitido o consumo de 5 litros de cerveja por dia.

Iluminura de 1425, produzida por Mendel Band I. Esta imagem é parte do mais antigo livro alemão que descreve a técnica de fazer cerveja. FONTE

Iluminura de 1425, produzida por Mendel Band I. Esta imagem é parte do mais antigo livro alemão que descreve a técnica de fazer cerveja. FONTE

A partir do ano 1000  a  maior parte das cervejas tinham um amargor vindo de ervas como Myrica gale e eram frequentemente suplementadas com capim cheiroso (“Melissa officinalis”), borragem (“Boragio officialis”) e erva de São João  (“Hypericium perforatum”).

Já início do século IX podem ser encontrados registros que apontam a introdução do lúpulo na receita, mas estes mestres podem ter usado também pontas de aspargos. Em 1150 Hidegarde of Bingen escreveu que lúpulo, quando adicionado à cerveja, reduz a deterioração causada por organismos patógenos. Aos poucos o uso desta planta se espalhou pela Europa e atingiu a Inglaterra, em meados do século XV.

Lei de pureza alemã, produzido em 1516. FONTE: Paulaner

Lei de pureza alemã, produzido em 1516. FONTE: Paulaner

A partir deste momento, houveram importantes mudanças na forma como a cerveja era feita, isso porque uma cervejaria da região de Munique estabeleceu uma lista com instruções para a confecção da cerveja, no ano de 1487. Instruções que eram levada muito a sério e, em 1516, foram transformadas em lei pelo duque da Baviera, Guilherme IV. A German Purity Law (Lei de Pureza Alemão) ou Reinheitsgebot estabelecia que toda cerveja deveria ser produzida utilizando-se apenas água pura, malte e lúpulo. Como o fermento ainda não era conhecido nessa época, este ingrediente foi incluído na receita posteriormente.

Abaixo, deixo até este documento, traduzido que foi postado pelo tradicional blog especializado Brejas, que tem um bar muito bom aqui em Campinas, por sinal.

“Como a cerveja deve ser elaborada e vendida neste país, no verão e no inverno: Decretamos, firmamos e estabelecemos, baseados no Conselho Regional, que daqui em diante, no principado da Baviera, tanto nos campos como nas cidades e feiras, de São Miguel até São Jorge, uma caneca de 1 litro (1) ou uma cabeça (2) de cerveja sejam vendidos por não mais que 1 Pfennig da moeda de Munique, e de São Jorge até São Miguel a caneca de 1 litro por não mais que 2 Pfennig da mesma moeda, e a cabeça por não mais que 3 Heller (3), sob as penas da lei. Se alguém fabricar ou tiver cerveja diferente da Märzen, não pode de forma alguma vende-la por preço superior a 1 Pfennig por caneca de 1 litro . Em especial, desejamos que daqui em diante, em todas as nossas cidades, nas feiras, no campo, nenhuma cerveja contenha outra coisa além de cevada, lúpulo e água. Quem, conhecendo esta ordem, a transgredir e não respeitar, terá seu barril de cerveja confiscado pela autoridade judicial competente, por castigo e sem apelo, tantas vezes quantas acontecer. No entanto, se um taberneiro comprar de um fabricante um, dois ou três baldes (4) de cerveja para servir ao povo comum, a ele somente, e a mais ninguém, será permitido e não proibido vender e servir a caneca de 1 litro ou a cabeça de cerveja por 1 Heller a mais que o estabelecido anteriormente.”

Guilherme IV, duque da Baviera, no dia de São Jorge (23 de abril), no ano de 1516, em Ingolstadt”

(Extraído do livro “O catecismo da Cerveja”, de Conrad Seidl – Editora Senac)

 

A partir de 1660 o reino da Bretanha proibiu o uso de outros cereais na produção e, durante o século XIX esta interessante bebida teve seu consumo espalhado por todo o planeta. Por vezes esta bebida chegou a ser proibida mas, de qualquer forma, nunca deixou de ganhar adeptos por toda história.

Os jogos de dominó tiveram origem na China Antiga e foram levados para a Europa durante o século XVII. Nas regiões rurais da Inglaterra do século XIX era comum a ocorrência de campeonatos deste jogo, em bares. A imagem, de 1924, apresenta o vigário local (Reverendo E. Scarlett) curtindo uma cerveja e dominos com alguns membros de sua paróquia. FONTE The Telegraph

Os jogos de dominó tiveram origem na China Antiga e foram levados para a Europa durante o século XVII. Nas regiões rurais da Inglaterra do século XIX era comum a ocorrência de campeonatos deste jogo, em bares. A imagem, de 1924, apresenta o vigário local (Reverendo E. Scarlett) curtindo uma cerveja e dominos com alguns membros de sua paróquia. FONTE The Telegraph

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PaleoNerd

Me chamo Denis e sou professor de História. Concluí minha Graduação em Licenciatura em História na Universidade Estadual Paulista – UNESP, Câmpus de Assis-SP em 2009. Em 2014 concluí minha Especialização em Educação, Arte e Multimeios pela Unicamp. Atuo na área desde 2010, ministrando aulas para o Ensino Fundamental, Ensino Médio, Cursos Pré-Vestibulares, assim como, palestras e oficinas para jovens e adultos.

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