Alba amicorum – o Facebook de 400 anos atrás

Alba amicorum – o Facebook de 400 anos atrás

As mídias sociais podem ser fruto do século XXI mas as idéias por trás do LinkedIn e Facebook tem uma história que remonta ao Século XIV. A PhD holandesa Sophie Reinders explora como os livros pessoais, conhecidos como alba amicorum – do latim “livro dos amigos” – funcionavam como uma versão histórica de nossa mídia social moderna. E, a partir da análise de quem era o caderno, quem escreveu e o quê, Sophie agora interpreta e reconstrói redes sociais, amizades, conhecimentos e trocas sociais com mais de 400 anos.

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Capa de um Alba Amicorum de 1635, estudado por Sophie. Fonte

De acordo com Sophie, os alba amicorum foram utilizados para estabelecer e solidificar as relações pessoais e profissionais dos jovens nobres do Norte da Europa já em 1560. Eles também foram usados ​​para compartilhar músicas favoritas, revelar paixões, oferecer conselhos, partilhar opiniões, guardar recordações e oferecer comentários sobre outras pessoas – isso te soa familiar? hahaha

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Uma folha de recordação preservada entre as folha de um dos “livros de amigos”. Fonte

Então como é que estes livros podem ser comparados ao Facebook dos nossos dias? Os jovens usavam os recursos disponíveis na época: em vez de compartilhar imagens ou vídeos, eles desenhavam. Em vez de compartilhar um artigo de opinião ou jornal, eles compartilhavam um breve aconselhamento ou passagem bíblica e em vez de partilhar a sua música favorita ou Spotify, eles escreviam a letra de sua canção favorita (claro que escrever uma canção de amor cliché no livro de alguém seria a dica perfeita de que você estava a fim dessa pessoa). #Uuuiiii #ficadica

E, como Facebook, tudo começou na universidade! No século XVI, jovens nobres holandeses, alemães e franceses criariam a “semente” do que chamamos de Intercâmbio, a fim de educar-se sobre o mundo e visitar os as cidades mais influentes, universidades e educadores. Com a finalidade de registrar as redes de contatos que construíram durante esses “tours”, levavam o livro com eles, no qual estudiosos, filósofos, cientistas, artistas e colegas escreveriam uma mensagem, geralmente lembrando seu encontro agradável e a fé nos jovens aventura no mundo profissional dos homens. Naquela época, você também poderia impressionar alguém por anotar alguma poesia pessoal, exibindo suas habilidades artísticas ou em diversas línguas.

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Para se ter uma ideia, dê uma olhada no impressionante livreto de Michael van der Meer (1590-1653):

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Uma pintura feita para Micheal von Meer.

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Tem até registros com o Rei da Inglaterra! Tê-lo como conexão nesse “LinkedIn” não seria nada mal, né? Fonte

Um livro cheio dessas anotações reforçaria a posição social dos estudantes e aumentaria suas chances no mundo profissional, bem como funciona o LinkedIn hoje. O alba amicorum era, geralmente voltado para os rapazes, para os quais a educação formal era uma realidade mais próxima. Infelizmente, as meninas raramente tinham acesso à Educação Superior e muito menos aos artistas e estudiosos em destaque. Mas isso não significa que as suas versões dos livros de amizade não eram tão – se não ainda mais – interessantes.

De acordo com Sophie, os alba amicorum das meninas eram muito mais como o Facebook do que o LinkedIn – já que para elas, eram utilizados para estabelecer e solidificar amizades, trocar fofocas e são repletos de piadas, aconselhamentos pessoais, “testemunhos” e dicas ilusórias para romances secretos. #nãocontapraninguém

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Capas de alguns alba amicorum #dazamigas. Fonte

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Album Amicorum de Jacoba Cornelia Bolten (1787-1859)

Tinha até “página de eventos”, em que era registradas informações desde a organização até impressões sobre determinado evento depois de realizado:

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Página de evento num livro de amigos

Uma das coisas mais legais desses livros eram as atualizações de status de relacionamento, que  eram feitas em conjunto depois do casamento – ele escrevia no dela e vice-e-versa.

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Atualizaçao de status de relacionamento para “Até que a morte nos separe” #medo

Contudo, para elas enquanto solteiras quanto mais pessoas escrevessem em seu livro, melhor. Assim poderiam mostrar ao resto do mundo que eram jovens senhoras interessantes  e populares, aumentando as chances de agarrar um partidão. =)

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Bárbara Gascó

Olá, terráqueos!

Sou Bárbara Gascó, conhecida também como Barbrão por minha conhecida habilidade em várias esferas, tipo faz-tudo =) e esposa do Sr. Denis Gascó, PaleoNerd.

Sou Arquiteta e Urbanista e atuo na área desde 2012. Paralelamente, escrevo sobre Arquitetura+História e, como única representante do sexo feminino neste navio pirata, pautas acerca de questões sobre Feminismo e Igualdade de gêneros.

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