Por que as alianças são usadas na mão esquerda?

Por que as alianças são usadas na mão esquerda?

Durante anos, os casais têm destacado um dedo específico para a aliança de casamento, sendo que qualquer outro dedo (talvez até dos pés) serviriam à mesma finalidade. Já pensou nisso? Então qual seria a explicação para esta escolha tão específica? Seria um caso de lado forte, lado fraco? Não exatamente…

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“Põe um anel aí” Knowles, Beoynce (2009)

Na verdade, a mãe esquerda sempre foi bem controversa. Por exemplo, nos tempos medievais, ser pego rabiscando/escrevendo com a mão esquerda poderia gerar acusações de ter pacto com o “demo” e, durante a Inquisição, os canhotos eram mais propensos a ser torturados ou mortos, pelo mesmo motivo.

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E da mesma maneira, rirão de nós hoje acerca da questão da questão de gêneros… Fonte

Na verdade, esta aversão tocou muitas culturas. Desde o tabu nos países islâmicos, que são contra comer e beber com a mão esquerda a crença no Japão Antigo de que qualquer mulher que não acompanhasse o marido pelo seu lado direito poderia ser legalmente divorciada, sem direito à questionamentos. Afinal, por que somos a favor de um dedo em uma “mão amaldiçoada” para simbolizar o amor duradouro? O.o

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Até o início do Século XX, canhotos eram punidos e forçados a usar a mão direita, “a mão certa” para escrever, cortar e cumprimentar. Fonte

Mas a percepção quanto à mão esquerda no passado não foi de toda ruim, não. A relação entre o casamento e a preferência por este dedo pode ser rastreada até ao segundo século, quando os egípcios acreditavam que a escolha deste dedo se daria por conta de um determinado nervo com origem no quarto dedo esquerdo que segue diretamente até o coração, de acordo com o estudioso grego Apiano. Séculos mais tarde, os romanos chegaram a uma conclusão similar. Contudo, concluíram que, ao invés de um nervo, tratava-se de uma veia, chamada então de vena-amoris ou “veia do amor” que conectava este dedo em particular ao órgão de bombeamento de sangue, este também culturalmente relacionado aos sentimentos.

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Representação da vena-amoris. Fonte

Durante o noivado Romano, um pretendente que podia pagar por um anel,  deveria colocá-lo no quarto dedo da mão esquerda de sua noiva. Assim, eles sempre teriam uma ligação simbólica em torno da veia de seu par. É muito provável que o mundo moderno pode ter adotado essa prática dos romanos.

Ainda assim, outros estudos argumentam que a relevância do quarto dedo começou como um ritual cristão primitivo. Ao encontrarem-se em uma Igreja Ortodoxa, como uma forma de cumprimento, esperava-se dos fiéis juntassem o  polegar com o indicador e o dedo médio. A união desses três dedos representava o pai, filho e Espírito Santo. Assim,  “o dedo do anel”, representando o amor terreno, estaria ao lado da trindade divina, tornando-o o local perfeito para o anel do cônjuge.

Até o século XVII, os casais ortodoxos normalmente usavam suas alianças na mão direita (esta normalmente associada com a força) e a maioria dos europeus de todas as fés seguiram o exemplo. Contudo, durante a Reforma Religiosa por volta de 1500, um bispo Inglês e reformador protestante chamado Thomas Cranmer teria usado da simbologia das alianças como uma maneira de quebrar a tradição. Naquele ano, ele publicou O Livro de Oração Comum, que instrui casais a abandonar uma prática de séculos relacionada à Igreja Católica em favor de usarem suas alianças de casamento no quarto dedo esquerdo. Em pouco tempo, maridos e mulheres de todo o continente estavam fazendo isso.

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Bárbara GascóOlá, terráqueos! Sou Bárbara Gascó, conhecida também como Barbrão por minha conhecida habilidade em várias esferas, tipo faz-tudo =) e esposa do Sr. Denis Gascó, PaleoNerd. Sou Arquiteta e Urbanista e atuo na área desde 2012. Paralelamente, escrevo sobre Arquitetura+História e, como única representante do sexo feminino neste navio pirata, pautas acerca de questões sobre Feminismo e Igualdade de gêneros.

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