Pin up: a arte “safadinha” da Segunda Guerra.

Pin up: a arte “safadinha” da Segunda Guerra.

Sempre que pesquisamos referências sobre os combatentes norte-americanos da Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945), topamos com imagens de lindas mulheres voluptuosas, em cartazes afixados nos acampamentos e desenhadas em carros, tanques ou aviões daquela época. Esta forma de representação da mulher é conhecida pelo termo pin up e foi construída durante este conturbado período histórico, no qual os países aliados uniam forças para tentar frear o expansionismo militar dos países do Eixo.

Soldado Americano posa ao lado de Pin Up. Cada uma dessas ilustrações tinha um nome especifico. Esta se chamava "Lila" Fonte: ACEPILOTS.com

Soldado Americano posa ao lado de Pin Up. Cada uma dessas ilustrações tinha um nome especifico. Esta se chamava “Lila” Fonte: ACEPILOTS.com

O termo pin up surgiu em meio ao campo de batalha dos dois lados do Atlântico, mais ou menos 1942, junto com o desenvolvimento de toda uma “cultura pop” que ganhava força com os Hq´s, as animações e o cinema norte-americano. Em meio a isso, idealizações fantasiosas das mulheres pin up ganhou espaço em capas de revistas, pôsteres de filmes, comerciais, calendários, cadernos. Carregadas de ambiguidade, as imagens destas mulheres misturavam puritanismo e sensualidade, de forma a “mexer” com a cabeça daquela rapaziada – que ficava “doida” ao ver aquelas beldades, sempre representadas em situações vulneráveis.

As Mulheres reais e suas ilustrações Pin up, feitas por Gil Elvgren. FONTE

As Mulheres reais e suas ilustrações Pin up, feitas por Gil Elvgren. Uma das grandes sacadas destes artistas era a ideia de representar estas mulheres como se fossem “pegas de surpresa”, entende?! Fato que misturava inocência e sensualidade, para “mexer” com a rapaziada do front. FONTE

Estas imagens tiveram particular penetração entre os membros das forças aéreas, que desenvolveram uma forma característica de dar características particulares aos seus veículos, com a “nose art”. O maior exemplo disso se encontra no dato de uma foto da modelo norte americana (e musa pin up) Rita Hayworth ter sido afixada à bomba que foi lançada sobre Hiroshima, em agosto de 1945. Tal fato, segundo o filósofo Antonio Jose Saggese, revelava uma nova forma de entender a mulher, associada às armas – ou como os franceses chamavam femme fatale – e era reforçada pelo próprio exército que fazia questão em custear publicações de revistas que eram distribuídas aos combatentes no front, como foi o caso da Revista Yank.

Fotografia da lateral de um B-26. Realmente, "a toda velocidade", hein?!. FONTE: acepilots.com

Fotografia da lateral de um B-24G-10-NT, pintada por Bill Bowen, na Itália.. Realmente, “a toda velocidade”, hein?!. FONTE: 

De qualquer forma, todo este processo se relaciona com a produção da imagem da mulher, cuja silhueta era, muitas vezes, associada com grandes empresas da época – como a conhecida Coca-Cola. Assim, a mulher se “…transforma em um produto industrial, sujeito a normas fixas e cuja qualidade é tão estável quanto a do peanut butter ou do chiclete. Rapidamente aperfeiçoada, como o jipe… ela é um produto perfeitamente harmonizado às influências raciais, geográficas, sociais e religiosas do momento. ”[1].

Além disso, as imagens se transformavam em uma espécie de valor, já que eram vendidas, trocadas ou empenhadas em apostas. Fato que relaciona estas figuras como um importante ponto do imaginário erótico na sociedade de consumo que, com o tempo, passou a ser interpretada como a idealização da identidade norte-americana. Desta maneira, terminavam por reforçar os modelos de perfeição, sem estrias, cicatrizes, pintas ou qualquer tipo de marca que à distanciasse da ideia de uma deusa encarnada.

O mais interessante é a técnica que envolvia a produção dessas imagens que, na maioria das vezes era poses construídas em fotografias e, posteriormente, adaptadas e “corrigidas” pelo ilustrador. Podemos dizer que é uma versão do “photoshop” da época, cujos grandes mestres eram artistas (como Alberto Vargas, Gil Evgren, E B Segner, D. Ancona e George Petty) que produziam de forma incessante para as revistas Yank e Esquire, assim como eram periodicamente convidados para desenharem as musas dos calendários de peças automotivas e ferramentas, como o Calendário Ridge Tools.

Papai Noel de Haddon Sundblom, se transformou em um verdadeiro ícone da industria-norte americana. FONTE: Oglethorpe University Musym of Art

Papai Noel de Haddon Sundblom, se transformou em um verdadeiro ícone da industria-norte americana. FONTE: Oglethorpe University Museum of Art

Todas as fotos presentes neste artigo remetem aos trabalhos do norte-americano Gilette A. Elvgren, um arquiteto que se graduou durante a Grande Depressão (após a Crise de 1929) e se tornou o pupilo do ilustrador Haddon Sundblom, o qual ganhou por seus desenhos do Papai Noel para as campanhas publicitárias da Coca-Cola. Posteriormente, o próprio Elvgren se tornou ilustrador de campanhas desta mesma empresa e, em 1937 criou seu primeiro calendário Pin-up para a agência de publicidade de Louis D. Dow – uma das mais notórias dessa época.

Eis uma imagem que termina por reforçar o estereótipo feminino, sobre o qual falei. FONTE

Eis uma imagem que termina por reforçar o estereótipo feminino, sobre o qual falei. FONTE

Esse cara inovou muito na área das ilustrações de pin-ups, ao representar as garotas sempre em situações inusitadas e representou grandes musas como Betty Gable, e a já citada, Rita Hayworth. Entretanto é importante lembrar que, apesar da nostalgia as envolve, essas ilustrações são um exemplo claro da apropriação consumista da silhueta feminina como um meio para acelerar a venda de produtos. Além do mais, terminaram por reforçar estereótipos femininos que, na maioria das vezes, desqualificavam a figura da mulher que era reduzida a peitos e bundas.

Ufa! Ainda bem que isso não acontece mais… ¬¬

Elvgren e suas modelos

Elvgren e suas modelos

[1] (BAZIN, A., Ontology of the pin-up Girl, 1971 p.151)

Croquies de Elvgren. FONTE

Croquies de Elvgren. 

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Me chamo Denis e sou professor de História. Concluí minha Graduação em Licenciatura em História na Universidade Estadual Paulista – UNESP, Câmpus de Assis-SP em 2009. Em 2014 concluí minha Especialização em Educação, Arte e Multimeios pela Unicamp. Atuo na área desde 2010, ministrando aulas para o Ensino Fundamental, Ensino Médio, Cursos Pré-Vestibulares, assim como, palestras e oficinas para jovens e adultos.

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