Infância roubada – Crianças atingidas pela Ditadura Militar no Brasil

Infância roubada – Crianças atingidas pela Ditadura Militar no Brasil

Olááá pessoal! Como estão?

Esta semana passada foi a famooossa “Semana do saco cheio” para algumas escolas. Teve Dia das Crianças, teve Dia do Professor – sobre o qual até postei um vídeo falando sobre como a Educação teve influência na minha vida nos mais diferentes aspectos.

Pra finalizar esta semana cheia de datas comemorativas, achei que seria interessante apontar outros aspectos relacionados à infância, desta vez ligados a um momento devastador da nossa história brasileira, o da Ditadura Militar (1964-1985), motivado pela notícia de que no Dia do Professor, 15 de outubro de 2015, morreu um dos coronéis desse período, Carlos Alberto Brilhante Ustra, que foi chefe do DOI-Codi de São Paulo. De quebra, ao final do texto, uma dica de leitura. Tá, mas o que uma coisa tem a ver a morte de um coronel reformado com o Dia das Crianças e Dia dos Professores? Já vou explicar:

Graças à Comissão da Verdade, instituída com a finalidade de esclarecer (o quanto possível) as atrocidades ocorridas no período da Ditadura Militar no Brasil, hoje temos maior acesso à informação sobre os casos de desaparecimentos e mortes de pessoas tidas como “terroristas” pelos militares.

Dentre os vários materiais organizados e publicados por essa Comissão, temos o livro “Infância Roubada – Crianças atingidas pela Ditadura Militar no Brasil”. Este foi baseado em depoimentos de familiares, resultado de um ciclo de audiências realizadas pela Comissão da Verdade Rubens Paiva, entre 6 e 20 de maio de 2013 em que esposas, maridos e filhos de pessoas que foram presas, torturadas e/ou dadas como “desaparecidas” naquela época deram seus relatos.

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Capa do livro lançado pela Assembleia Legislativa de São Paulo e Comissão da Verdade “Rubens Paiva”, em 2014. Fonte

Deve-se ressaltar que a repressão militar era tão forte que, uma pessoa poderia ser presa por qualquer suspeita de que fosse “comunista”. Ser contra o regime e externar esta opinião já era suficiente, em alguns casos, levando a centenas de pessoas foram presas e submetidas à tortura. Alvos constantes eram pessoas formadoras de opinião como professores, jornalistas, artistas, inclusive representantes da Igreja (freis, freiras e padres), que à partir de seu discurso poderiam influenciar muitos cidadãos com discurso “subversivo”.

[SPOILER ALERT]

A publicação foi lançada em papel em poucas unidades e distribuída gratuitamente à época de seu lançamento, em 2014. Contudo, continua disponível para download pra quem quiser ler (deixo os liks abaixo) e conta a história de 44 familiares que tiveram uma parte de sua vida recortada pela opressão.

Você imagina como seria se um dia “do nada” seu pai ou sua mãe su-mis-sem, sem deixar vestígios? Uma lacuna que jamais preenchida, sem explicação nenhuma, nem saber ao menos se estava vivos ou mortos? Você sabia que crianças tornadas órfãs por estas circunstâncias muitas vezes foram “adotadas” por famílias dos militares?

Há casos de sequestro, de adoção e de  ameaças de adoção, de banimento, de nascimento em cativeiro, de fetos torturados ainda no ventre de suas mães. Alguns tiveram que viver na clandestinidade, afastados dos pais, com nomes trocados. Cada testemunho é acompanhado, ainda, de fotografias, de acervo familiar e arquivos públicos com o objetivo de resgatar a memória das famílias e a contextualizar o momento histórico, época em que crianças eram fotografadas e fichadas pelos órgãos de repressão.

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Imagens extraídas do livro. “Infância Roubada – Crianças atingidas pela Ditadura Militar no Brasil”, Assembleia Legislativa SP, 2014.

Como dito anteriormente, há casos de crianças que, além de fichadas como “subversivos” e “terroristas”, foram banidas do país como aconteceu com Ernesto Carlos Dias do Nascimento, com 2 anos; Zuleide Aparecida do Nascimento, 4; Luis Carlos Max do Nascimento, 6 e Samuel Ferreira, 9; que foram banidos do país em 15 de junho de 1970, junto com 40 militantes políticos acusados de terrorismo. O decreto com o banimento foi assinado pelo então presidente Emílio Médici e pelo ministro da Justiça Alfredo Buzaid.

É um passado recente, do qual ainda temos muitas marcas de dor e sofrimento em muitas famílias e que não podemos esquecer para que não volte a acontecer com outras crianças. Apesar de triste, recomendo fortemente a leitura.

Aqui seguem os links para download:

1ª Parte

2ª Parte

3ª Parte

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Desembuche aqui:

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About the Author

Bárbara Gascó

Olá, terráqueos!

Sou Bárbara Gascó, conhecida também como Barbrão por minha conhecida habilidade em várias esferas, tipo faz-tudo =) e esposa do Sr. Denis Gascó, PaleoNerd.

Sou Arquiteta e Urbanista e atuo na área desde 2012. Paralelamente, escrevo sobre Arquitetura+História e, como única representante do sexo feminino neste navio pirata, pautas acerca de questões sobre Feminismo e Igualdade de gêneros.

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