O vestido de 5.000 anos

O vestido de 5.000 anos

Sabemos que é bastante comum em escavações arqueológicas pesquisadores encontrarem peças cerâmicas e ferramentas antigas. Contudo, quando se trata de vestimentas a história é outra, dada a fragilidade dos materiais já que a maioria dos tecidos eram feitos de materiais puramente orgânicos como o algodão, linho, cânhamo ou lã que são rapidamente degradados e por isso encontrá-las é extremamente raro.

O vestido encontrado no Egito, na região de Tarkhan (a aproximadamente 100 Km de Cairo), teve sua idade entre 5.100 – 5.500 anos confirmada através de datação por carbono e, por isso, recebeu o “título” de vestido mais antigo já encontrado.

Paleonerd_vestido de 5000 anos_Egito

Imagem do “Tarkhan dress”, como a peça tem sido chamada. Fonte Petrie Museum

De acordo com a publicação da Antiquity, o vestido sepultado numa tumba por milhares de anos por pouco não foi descoberto já que nas primeiras escavações ocorridas entre 1912 e 1913 o vestido “passou batido” considerado um amontoado de trapos e gazes utilizadas em mumificações. Mais de 65 anos depois, em 1977, quando a “pilha de trapos” foi enviada para investigação e conservação no Victoria and Albert Museum em Londres que descobriram que se tratava de uma peça de roupa!

Supõe-se que o vestido foi usado por um membro da elite egípcia dado o nível de detalhes das costuras em pregas paralelas nos ombros e no peito. Como já sabido, este não é o único exemplo de vestimenta antiga, mas ainda segundo a publicação, é a única que apresenta características de “alta costura” para a época já que foi feita com esmero, desde o corte do tecido até os acabamentos – ao contrário das demais peças já encontradas cujos modelos eram muito mais básicos, constituídos de tecidos envoltos no corpo e com costuras e amarrações muito simples.

Gráfico que demonstra os resultados da datação por radiocarbono, realizada pelos pesquisadores da Universidade de Oxford. Segundo os testes, existe 95% de probabilidade deste vestido ter sido confeccionado entre 3482 e 3102 a.C. Fonte: DailyMail

Gráfico que demonstra os resultados da datação por radiocarbono, realizada pelos pesquisadores da Universidade de Oxford. Segundo os testes, existe 95% de probabilidade deste vestido ter sido confeccionado entre 3482 e 3102 a.C. Fonte: DailyMail

Apesar de ter sido encontrado numa tumba, há indícios de que tenha sido criado não para traje fúnebre, mas sim para uso na próxima vida, de acordo com a crença egípcia de vida após a morte. Além disso, apresenta sinais de que já tenha sido usado. Jana Jones da Macquarie University da Austrália ainda aponta que o hieroglifo “vestido” aparece na lista de itens pós-morte (aqueles que seriam usados na próxima vida), com demais itens como alimentos e cosméticos.

Outra peça que quebrou recorde de idade foi esta calça de lã encontrada na China e com mais de 3.000 anos, considerada a calça mais antiga do mundo. Repare no detalhe entre as pernas da peça: o acolchoado na região indica que foi criada para uso em cavalgadas.

Paleonerd_calcas de 3000 anos_China

Calça mais antiga do mundo – 3.000 anos. Fonte

A civilização egípcia teve o início de seu desenvolvimento a partir da formação de comunidades denominadas nomos, estabelecidas nas proximidades do Rio Nilo. A partir de cerca de 3500 a.C. estas comunidades sofreram um processo de aglutinação, em função da intensa urbanização que desenvolveram e se dividiram em dois reinos principais: o Baixo Egito e Alto Egito.

Os historiadores acreditam que o império egípcio teria sido iniciado com o processo de unificação dos reinos, realizado pelo faraó Namer (ou Menés, para alguns), que introduziu uma monarquia teocrática pautada numa rígida hierarquia social, na qual a família real, os sacerdotes e outros nobres teriam controle político e econômico sobre todo o território. Abaixo, deixo uma ilustração sobre a organização social egípcia:

As vestimentas no Egito Antigo, desenvolviam a função de reconhecimento das distinções hierárquicas, onde os membros das camadas mais pobres eram vestidos com roupas mais simples e deixavam partes do corpo bem expostas, enquanto a realeza era vestida com finos materiais, assim como contas e bordados aplicados, como no vestido de Tarkan, e colares de ouro com pedras preciosas incrustadas.

Digitalização da obra Costumes of all Nations (1882), que procura tentar reproduzir o estilo de vestimenta utilizada pelos egípcios. Aqui podemos ver representações de Sacerdotes (1 à 6), Guerreiros (7,8,11,12); o faraó em roupas de guerra e em roupas cerimoniais.

Digitalização da obra Costumes of all Nations (1882), que procura tentar reproduzir o estilo de vestimenta utilizada pelos egípcios. Aqui podemos ver representações de Sacerdotes (1 à 6), Guerreiros (7,8,11,12); o faraó em roupas de guerra e em roupas cerimoniais. Fonte Wikimedia Commons

Tanto homens como mulheres costumavam vestir túnicas ( uma espécie de “vestido” largo, que auxilia no controle térmico do corpo, relativamente leve e de manga comprida que cobre até os joelhos ou o corpo inteiro) que eram diferenciadas pelo tamanho: os vestidos das mulheres iam até os calcanhares, enquanto dos dos homens somente até os joelhos. Homens livres e escravos que realizavam trabalho externo, normalmente vestiam saias curtas, ao invés das túnicas.

Fonte: Wikimedia Commons

Aqui podemos ver Mulheres e homens livres (1,2); Mulheres que faziam parte da nobreza (3,4,5); Homens da nobreza egípcia (6,7); Portador do abano real (8); Representação de uma princesa (9); Príncipe (10), Faraó (11); Sacerdote (12) e Imperatriz (13). Fonte: Wikimedia Commons

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Bárbara Gascó

Olá, terráqueos!

Sou Bárbara Gascó, conhecida também como Barbrão por minha conhecida habilidade em várias esferas, tipo faz-tudo =) e esposa do Sr. Denis Gascó, PaleoNerd.

Sou Arquiteta e Urbanista e atuo na área desde 2012. Paralelamente, escrevo sobre Arquitetura+História e, como única representante do sexo feminino neste navio pirata, pautas acerca de questões sobre Feminismo e Igualdade de gêneros.

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