Feminismo – Por trás do “We can do it!”

Feminismo – Por trás do “We can do it!”

Hoje quem vos escreve é a Bárbara Gascó (também conhecida como Barbrão Arquitetura, Barbrão Informática, Barbrão Reparos Elétricos – entendedores entenderão)! O post de hoje, 8 de março, é dedicado a todas as mulheres que lutaram pelo espaço da mulher a caminho de uma sociedade mais justa e igualitária (ainda não chegamos lá =/ ). É direcionado a todos a quem possa interessar: não só a mulheres, ou aos homens…sem rótulos por aqui, ok?

Se hoje a imagem do icônico poster “We can do it” é diretamente relacionado à força da mulher e ao feminismo, saibam que ele nasceu com outro propósito: PROPAGANDA DE GUERRA! Mais especificamente produzida pelo War Production Co-ordinating Comitee (Comitê para coordenação de provisões de guerra).

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Os americanos sempre foram bons em propaganda de guerra. Outra imagem que você deve conhecer bem é a do Tio Sam, criada com o intuito de atrair jovens para o alistamento militar:

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A imagem do “Uncle Sam” foi usada pela primeira vez em propaganda oficial militar em 1917 (baseada na versão original de Lord Kitchener de três anos antes) com a finalidade de recrutar soldados para a Primeira e Segunda Guerras Mundiais.

Com a maioria dos homens jovens americanos convocados peo Tio Sam para atender às tropas durante a Segunda Guerra Mundial, muitas vagas de trabalho foram abertas, deixadas por eles. Além disso, havia a preocupação do Comitê em manter a produção da indústria de maneira a atender tanto a demanda local quanto de suprimentos de guerra (alimentos, fardas, munições, etc) para as tropas além-mar.

É verdade que, apesar do pequeno número de representantes, algumas mulheres se alistaram às Forças Armadas durante as duas Grandes Guerras. Assim como o Governo as convocou para o trabalho em solo americano por meio da campanha “We can do it” também fez propaganda a favor do alistamento feminino para combater no front:

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“Junte-se a nós num trabalho vitorioso!” – Aliste-se no posto militar mais próximo. Fonte

Não acredite que o Governo americano tinha a visão de empoderamento da mulher quando lançou a campanha “We can do it”. Lembre-se de que era o ano de 1943! Havia pouco mais de 20 anos que as mulheres norte-americanas conquistaram o direito do voto através de emenda Constitucional!

Para a sociedade da época, o papel da mulher era basicamente restrito ao “reino do lar”. Inclusive elas, é claro, se viam presas nesse esteriótipo. Algumas tinham, sim, empregos no comércio ou na indústria (têxtil, geralmente) mas sob piores condições que os homens: trabalhavam mais horas, com salários menores. Ou então contratadas (a baixos salários, óbvio) para desempenhar funções “de mulher”, que fossem condizentes com suas “habilidades femininas” como organizar, limpar, cozinhar e cuidar de crianças (babá).

Uma das posições de trabalho mais comuns para mulheres dessa época era a de telefonista/ secretária*. Sabe porque? Além da possibilidade de jornada de meio-período (para cuidar da casa e dos rebentos) [#rainhadolar], o contato pessoal dava-se apenas com outras mulheres [#controle] e, afinal de contas, falar ao telefone era uma habilidade essencialmente feminina, não é mesmo?! ¬¬  [#machismo]

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“Alô, telefonista? Queria falar com o Fulano no nºXXXX”. As ligações telefônicas eram feitas por cabos, manualmente. Este era um trabalho quase exclusivamente feminino. Fonte

Em resumo, as vagas de trabalho disponíveis, eram divididas entre “masculinas” e “femininas”. Partindo dessa premissa, era muito pouco provável que uma mulher concorresse a cargo “masculino” devido à hostilização no ambiente de trabalho bem como preconceito por parte de outras mulheres.

A moça retratada na ilustração era conhecida como Rosie, the riveter (Rose, a rebitadora). Rose Will Monroe foi de fato uma rebitadora da indústria pesada e a ideia de tê-la como modelo para a propaganda era de que o maior número possível de mulheres de identificassem com ela e seguisse seus passos. O fato é que o conceito da propaganda era desconstruir a ideia do feminino como sexo frágil com o intuito de preencher as vagas masculinas (de chão de fábrica, braçais) na indústria. Simples assim. E quer saber? Funcionou! Nos EUA, em 1890, a porcentagem total de mulheres na força de trabalho era de 17% e em 1944, já era 35,4%.** Em 1945, mais de 2,2 milhões de mulheres estavam trabalhando nas indústrias de guerra, a construção de navios, aeronaves, veículos e armas.***

Hoje o cartaz da Rosie é identificado como símbolo da luta do feminismo. E não é à toa. Porque a luta não acabou: ainda hoje, por incrível que pareça, muitas mulheres ainda não atingiram equiparações salariais. Ainda sofrem preconceito e hostilização por atuar numa área “masculina”. Apesar de terem maior nível de instrução (graduação, pós, especialização, MBA…), cargos de chefia são direcionados majoritariamente a homens – Isso se falarmos apenas da questão do MERCADO DE TRABALHOOO!

Felizmente, apesar de tanta resistência e preconceito, a mulher tem alcançado seu espaço.

Abaixo, um vídeo da Karen Bachini que questiona o porquê dar parabéns e flores (ou não) às mulheres no dia 8 de março, “Parabéns por quê?”:

*O filme “A troca” de 2008, estrelado pela Angelina Jolie, retrata o perfil de uma jovem mãe viúva (que trabalha como telefonista) e sua luta para conseguir seu filho que foi sequestrado de volta. Entregaram a ela um outro menino, que não era seu filho. Foi descreditada, zombada pela polícia e pela mídia como louca e chegou a ser internada num manicômio – assim que eram tratadas mulheres contestadoras.

** Fonte

***Fonte

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About the Author

Bárbara Gascó

Olá, terráqueos!

Sou Bárbara Gascó, conhecida também como Barbrão por minha conhecida habilidade em várias esferas, tipo faz-tudo =) e esposa do Sr. Denis Gascó, PaleoNerd.

Sou Arquiteta e Urbanista e atuo na área desde 2012. Paralelamente, escrevo sobre Arquitetura+História e, como única representante do sexo feminino neste navio pirata, pautas acerca de questões sobre Feminismo e Igualdade de gêneros.

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