Wasteland,  Mad Max e um provável futuro…

Wasteland,  Mad Max e um provável futuro…

Hoje saí de minha caverna pessoal e deixei minhas pinturas rupestres de lado para fazer uma revelação importante. Depois de uma conversa com os xamãs e muita reflexão, cheguei a conclusão  que o futuro mais possível daqueles que conheço é  de Mad Max – e ele está cada vez mais próximo.

Quando criança me perguntava qual seria a época em que os robôs andariam por aí junto com os homens ou quando poderíamos caminhar pelo espaço.  Quando poderíamos chegar a outros mundos e usar todos aqueles lasers e carros voadores. Mas, hoje, eu sei que tudo isso é conversa mole.

Esqueça Bladerunner,  A Fundação (de Asymov) ou qualquer outra coisa pois, para mim, infelizmente a humanidade está destinada a virar uma grande Wasteland.

Como cheguei a essa conclusão?

Pensa bem: vivemos em um mundo em que a figura do carro é supervalorizada.

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A premiada animação curta-metragem LOGORAMA é uma interessante referência para podermos entender melhor a questão do consumo e a relação de identidade que o ser humano tem desenvolvido a partir de marcas. Esta produção francesa foi realizada em 2009, com a direção conjunta de François Alaux, Hervé de Crecy e Ludovic Houplain e revela uma cidade na qual os mascotes de marcas encarnam personagens em situações de violência, na qual o grande vilão é apresentado como o palhaço do Mc Donalds, Ronald McDonald. FONTE

Percebam que o grande símbolo do sucesso para a nossa cultura não vem com a educação, mas sim com quatro rodas que passam a ser entendidas como condição de ascensão social. Não demorará muito para criarmos toda uma mitologia, uma religião, ao redor da figura do carro e passarmos a cruzar os dedos em homenagem ao grande V8, com o qual almejarmos entrar – cromados e brilhantes – nos portões de Valhala…

Outro fator que aponta a super valorização da figura do carro é o fato de as ciclovias incomodarem muito mais do que os desvios das merendas, ou fechamentos de salas de aula,  assim como a falência da segurança pública e da saúde. Dane-se! Afinal de contas, ninguém liga para essas coisas, enquanto o aumento do preço da gasolina – esse sim é um grande pecado, pois como poderei desfilar (“tirar uma onda”) com meu carro se o preço da gasolina estiver tão alto?

Isso se tornou um motivo tão sério que resulta uma motivação capaz de nos levar ao ponto de cogitarmos a possibilidade de derrubar governos eleitos democraticamente!

O espaço do carro é sagrado e isso já faz algum tempo, como demonstrou Aldous Huxley ainda no início da década de 1930, quando escreveu sua famosa obra “Admiravel Mundo Novo”, na qual um futuro alternativo é palco para uma sociedade cuja memória se pautava na figura de Henry Ford transformada em uma entidade superior, digna de mitologia própria. Como manifestou o próprio autor, ao escrever um novo prefácio para sua obra no ano de 1946. Naquele momento, Huxley afirmou: “… Nessa época, eu projetei para daqui a seiscentos anos. Hoje parece perfeitamente possível que o horror esteja entre nós dentro de um único século.” (HUXLEY, A. Admirável Mundo Novo, Ed. Globo, São Paulo, 2001, p.31)

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Páginas iniciais da nova versão de Admiravel Mundo Novo, escrito por Aldous Huxley. Editora Biblioteca Azul. FONTE: Book Addict

Outro aspecto que me convence dessa teoria são as guerras feitas em nome do petróleo. Essa “desculpinha” de levar a democracia e a liberdade para os povos nunca me convenceu, assim como o Capitão América nunca me enganou, pois eu  sempre soube que seu principal objetivo era colocar suas mãos no petróleo mas, agora, ele está de olho agora no pré sal das terras tupiniquins.  E, para isso, já encarregou seu “minion” – um vampiro secular Nosferatu para a missão. Uma criatura diabólica que já se posicionou, inclusive, contra o fechamento da Paulista para carros nos domingos. Vamos lá, você sabe de quem estou falando…

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Que absurdo!!!  Como assim não poder ficar preso no trânsito com meu possante na avenida Paulista em pleno domingo?  Que coisa absurda, que coisa de comunista…

Todos esses embates diplomáticos envolvendo China, Rússia,  EUA,  Coréia (ou seria melhor “Comédia”) do. Norte e afins podem desencadear em tensões ainda maiores, e até mesmo no uso de armamento nuclear. Tudo em nome do interesse do “Imortal Capital”.

Por que não, afinal, como diria um grande filósofo anônimo contemporâneo, “o imbecil nunca decepciona”. E esse é um ensinamento que carregarei para o resto de minha vida; aprendi a me preparar melhor assim.

Aliás, falando em imbecis, as gangues insanas de Wasteland estão todas espalhadas por aí disseminando o mais puro ódio.  Há muito tempo encobertos pela falta de meios de comunicação que possibilitassem jorrar a mais pura raiva.  Hordas e hordas de loucos desfilam pelas “web estradas” da fúria, carregando os estandartes Bolsonaros,  Fidelix,  Cunhas e outros falsos profetas da vida. Todos procurando a quem jogar na “cúpula do trovão”, numa batalha até a morte contra os direitos humanos.

E o pior, seremos, ou já somos (ainda não sei muito bem) uma sociedade movida a fezes. Retiraremos nossa energia das merdas dos porcos para continuarmos em frente.

E ainda há o problema da falta de água.  A “tela visão” pode não noticiar mais sobre isso, mas o caso ainda é sério.

Cúpula do trovão, presente no terceiro filme da série MAD MAX. FONTE

Cúpula do trovão, presente no terceiro filme da série MAD MAX. FONTE

Pronto,  temos a nossa própria Wasteland!

Em breve nos tornaremos guerreiros das estradas por não termos mais pelo que lutar. Eu já preparei o meu celta vermelho.

George Miller nunca esteve tão certo…

Aquela criança hoje estaria triste em saber que o futuro não nos reserva nada além de um grande deserto,  seco,  vazio de humanidade e cheio de ignorância.

Sobre o autor:

CapturarLuiz Nase (Médio) é professor de História, formado pela Unesp de Assis e cinéfilo de coração. Co-fundador do SarjetaCast, podcast voltado para o roleplayng game (RPG).. () e co-fundador do DonnaRita, blog de artesanato e entretenimento.

fato de as ciclovias incomodarem muito mais do que os desvios das merendas, ou fechamentos de salas de aula,  assim como a falência da segurança pública e da saúde. Dane-se! Afinal de contas,

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About the Author

PaleoNerdMe chamo Denis e sou professor de História. Concluí minha Graduação em Licenciatura em História na Universidade Estadual Paulista – UNESP, Câmpus de Assis-SP em 2009. Em 2014 concluí minha Especialização em Educação, Arte e Multimeios pela Unicamp. Atuo na área desde 2010, ministrando aulas para o Ensino Fundamental, Ensino Médio, Cursos Pré-Vestibulares, assim como, palestras e oficinas para jovens e adultos.

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