A Matriz,  a caverna e os jogadores….

A Matriz,  a caverna e os jogadores….

Por Luiz Nase

Por esses dias estava por ali fuçando algumas coisas antigas e dei de cara com alguns livros de filosofia,  Platão para ser mais específico.  Não que eu seja um voraz devorador de livros de filosofia,  mas digamos que li muito mais do que leio hoje,  e infelizmente menos do que gostaria.  Velhos tempos em que a velha biblioteca da Unesp de Assis me proporcionava alguns grandes clássicos da literatura mundial. Livros densos e pesados como “Humano,  demasiado humano”“O anticristo” de Nieztche me acompanharam durante meu percurso e mudaram a minha personalidade.

Wisecrack é um interessante canal que explica ideias apresentadas por filósofos com o formato 8-Bits. Vale a pena conhecer! FONTE: openculture

Wisecrack é um interessante canal que explica ideias apresentadas por filósofos com o formato 8-Bits. Vale a pena conhecer! FONTE: openculture

Talvez por isso hoje eu tenha optado pela leitura de romances,  sem esquecer o meu querido Hobsbawn. Romances são mais bonitos,  e tornam a vida muito mais fácil de ser encarada.  Tudo é mais colorido e menos cheio de ódio. Até mesmo as distopia que tanto amo,  Fallout e Bioshock por exemplo,  não chegam a ser tão assustadoras quanto a realidade em que vivemos hoje. Columbus, no auge de seu radicalismo,  parece até um lugar tranquilo e sereno diante de tanto discurso de ódio.

Se você ainda não jogou Bioshock, não faz ideia do que está perdendo, "mermão". FONTE: GameVício

Se você ainda não jogou Bioshock, não faz ideia do que está perdendo, “mermão”. FONTE: GameVício

Que irônico, ter de visitar distopias  para encontrar uma pouco mais de paz e razão. Que tipo de ser humano me tornei?

Em algumas de minhas muitas voltas pela internet me deparei com um livro chamado “Jogador número 1”. Pela sinopse vi que era sobre games e a cultura pop dos anos 80.  Um bilionário montou um MMO (Massive Multiplayer OnLine) chamado OASIS que em certos pontos se confunde com a vida real. Uma espécie de Matriz, onde os jogadores devem procurar por Ester Eggs (elementos escondidos) da década de oitenta.  Como recompensa há um prêmio de milhões para aquele que desvendar o mistério. Como cenário temos um distópico, onde as pessoas preferem passar mais tempo navegando pelo Oásis do que encarando uma realidade de merda. Todo bom jogo ou livro me causa essas impressão.

Fonte:

Segundo a filósofa Marilena Chauí: “O paralelo entre Neo e Sócrates não está apenas no fato de que ambos são instigados por ‘espíritos’ que os fazem desconfiar das aparências, nem apenas por ambos consultarem um oráculo e receberem como mensagem o ‘conhece-te a ti mesmo’, e nem mesmo porque ambos lidam com matrizes. Podemos encontrá-lo também ao comparar a trajetória de Neo no interior da Matrix com um dos mais célebres escridos do filósofo Platão…”. Fonte: DvdBeaver

Matrix trabalhou com isso muito tempo antes,  e foi um filme que me fez cair os poucos cabelos que ainda tenho,  estou falando apenas do primeiro,  uma vez que o resto é de se lamentar.  O filme foi tão bom que me fez gostar de Keanu Reaves.  Seres humanos que vivem em um programa de computador que simula uma realidade.  E essa realidade não pode ser perfeita,  pois nós seres humanos não conseguimos aceitar um mundo perfeito,  igualitário e feliz.  Um verdadeiro tapa na cara nos dias de hoje.  Afinal de contas,  são muitas as pessoas que não conseguem aceitar os direitos e as felicidades de terceiros.

Tem uma passagem muito interessante onde o traidor afirma optar pela fuga da realidade.  Prefere ficar imerso em a Matriz do que penar na realidade.  No começo condenei sua atitude, mas após algumas visitas ao filme percebi que ele não havia escolhido ser livre.  A ignorância é uma bênção. De certa forma ela é.  “Quem me dera fosse burro,  assim não sofreria tanto” já diria o Raulzito. Esse sim,  entrou e saiu da matriz várias vezes pela porta do alcoolismo.

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As músicas de Raul Seixas abalam as crenças e questionam a realidade em que vivemos. Se você não é familiarizado com o som desse cara, tá na hora de acordar! FONTE: CatracaLivre

Voltando ainda mais no tempo pode-se perceber que essas grandes obras são todas versões do famoso mito da caverna. Com um pouco mais,  ou menos,  de ação. Aliás,  esse é o super trunfo da Matrix,  pegar um tema já explorado e cobri-lo com uma skin de filme de ação.
A obra de Platão traz pessoas confinadas em uma caverna que aprendem a conviver com a própria sombra,  o mundo para eles se restringe a imagens distorcidas de uma realidade que vem de fora.  Vamos ver se consigo explicar melhor, talvez seja parecido com o efeito que a Globo e as grandes mídias exercem sobre as massas.  Mas um consegue escapar,  enxergar a realidade,  infelizmente seu espírito altruísta o fez  retornar para alertar os demais.  Coitado, acabou morrendo pelas mãos daqueles a quem tinha o desejo de libertar. Muitas vezes esse é o caminho a ser traçado por muitos mártires: Guevara,  Gandhi,  Jesus e por aí vai…

Esboço do storyboard para o filme Ready Player One, que está travado por conflitos sobre direitos autorais. Fonte: MovieWeb

Esboço do storyboard para o filme Ready Player One, que está travado por conflitos sobre direitos autorais. Fonte: MovieWeb

A Matriz,  a caverna,  o OASIS,  o “jornalismo” da Globo e outras mídias presas a um passado arcaico.  Todos uma válvula de escape.  No final das contas,  tudo não passa de sombras projetadas em um parede. E nós somos aqueles em busca de um mártir,  um messias,  para destroçá-lo.

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About the Author

PaleoNerdMe chamo Denis e sou professor de História. Concluí minha Graduação em Licenciatura em História na Universidade Estadual Paulista – UNESP, Câmpus de Assis-SP em 2009. Em 2014 concluí minha Especialização em Educação, Arte e Multimeios pela Unicamp. Atuo na área desde 2010, ministrando aulas para o Ensino Fundamental, Ensino Médio, Cursos Pré-Vestibulares, assim como, palestras e oficinas para jovens e adultos.

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