A triste história da Laika – cosmonauta canina

A triste história da Laika – cosmonauta canina

Quem nasceu na década de 80 lembra que era muito comum cães receberem o nome de Laika. Tenho certeza de que você já ouviu falar de uma Laika. Quando eu era criança sempre me perguntava o motivo, até que um dia minha mãe me explicou que este era o nome do primeiro cão enviado ao espaço, uma fêmea cujo nome era Laika, da Rússia.

Imediatamente achei o mááááximo o fato de terem enviado um cachorro para o espaço! Que legal! Certamente seu dono era astronauta e para que ele não se sentisse sozinho, deixaram que a Laika também embarcasse no foguete – eu pensei. Ahhhh, que ilusão!

Laika pioneira

Bem, o que aconteceu de verdade foi bem diferente do que eu havia imaginado: Yuri Gagarin é creditado como o primeiro ser humano a entrar em órbita no ano de 1961. Contudo, não foi o primeiro terráqueo. Antes dele, em 1957, enviaram a cadela SRD Laika em “missão suicida” ao espaço, tornando a “ex-cadelinha de rua” em heroína estelar. Na efervescência da corrida espacial, característica da Guerra Fria, o lançamento bem-sucedido da Laika representou uma das maiores vitórias para a União Soviética.

Antes de a viagem espacial de Laika, tanto os EUA quanto a URSS tinham enviado outros animais em vôos científicos, mas apenas por alguns minutos em sub-órbita. Nenhum tinha viajado pela órbita, propriamente dita, sob gravidade zero.

de cachorro sem-dono a cosmonauta

Laika foi retirada das ruas de Moscou alguns dias antes do lançamento do foguete Sputnik 2. O Sputnik, que foi o primeiro satélite artificial lançado ao espaço na história, tinha sido posto em órbita apenas um mês antes. Para esta missão, os soviéticos queriam usar um cão para testar a segurança das viagens espaciais para os seres humanos e escolheu Laika por causa de seu caráter calmo e tamanho reduzido.

TO GO WITH AFP STORY BY Nick Coleman (FILES) Picture from the Soviet daily Pravda dated 13 November 1957 of the dog Laika, the first living creature ever sent in space, onboard Sputnik II. Soviet spacecraft Sputnik 2 was launched from the Baikonur cosmodrome in Kazakhstan, 03 November 1957. Laika died a few hours after launch from stress and overheating, likely due to a malfunction in the thermal control system. Thursday 04 October 2007 marks the 50th anniversary of the Soviet Union's launch, on October 4, 1957, of Sputnik 1, the starting signal for the Space Race and a propaganda coup that Russia's present leaders can only envy. AFP PHOTO / TASS (Photo credit should read OFF/AFP/Getty Images)

Imagem de Laika em “treinamento” que foi publicada em no jornal russo Pravda em 13 de novembro de 1957. Fonte: OFF/AFP/Getty Images

Laika passou por poucos testes antes de ser despachada numa caixa metálica e esses testes consistiam basicamente colocá-la em compartimentos cada vez menores e em simuladores de vôo. Boazinha que era, respondeu bem aos testes e em 3 de novembro de 1957, Laika foi pro espaço – literalmente [inclusive, esta expressão tão comum hoje vem justamente dessa época].

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Trecho de livro com história da Laika em quadrinhos, escrito e desenhado por Nick Abadzis, de 2007. Fonte

Viagem sem volta

Sua expedição foi uma viagem sem retorno e os cientistas soviéticos sabiam disso desde o início. A versão oficial afirma que Laika teve uma morte “assistida”: o foguete Sputinik seria programado para acompanhar e transmitir à base soviética seus sinais vitais bem como para fornecer alimento para ela até que o oxigênio findasse. Quando isso acontecesse, ela receberia alimento com medicação utilizada em eutanásia de cães e morreria sem dor.

Durante muitos anos esta foi a versão amplamente divulgada e aceita em relação ao fim da Laika. Contudo, em 2002, no Congresso Mundial do Espaço realizado em Houston, Texas (EUA), o cientista espacial soviético reformado (aposentado do exército) que atuou no projeto Sputnik 2 Dimitri Malashenkov, revelou que o cão morreu poucas horas depois do lançamento devido a estresse e superaquecimento causado por um defeito no sistema de controle de temperatura, que foi projetado e instalado às pressas no foguete.

Após cinco meses de orbitando a Terra, Sputnik 2 retornou em 04 de abril de 1958. Ao entrar novamente na atmosfera, entrou em combustão e desintegrou-se, bem como o os restos mortais da cosmonauta canina.

Embora Laika tenha morrido tragicamente, sua missão abriu o caminho para grandes avanços nos estudos espaciais. Depois dela, outros 36 cães foram enviados à órbita a fim de completar as pesquisas e fornecer a inteligência necessária para a missão de Yuri Gagarin.

Anos depois de seu vôo histórico, Gagarin ponderou sua ligação com Laika e os outros cães que levaram o caminho para o espaço, dizendo:

“Eu ainda não consigo entender quem eu sou. O primeiro homem, ou o último cachorro?”

Atualmente em Moscou há um Museu dedicado aos estudos e às expedições espaciais russas chamado Museu do Cosmonauta. Nele encontram-se dois cosmonautas caninos, Belka e Strelka que sobreviveram à expedição e quando morreram por causas naturais foram empalhados em memória deles e dos demais cães espaciais.

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Cães espaciais empalhados em exposição no Museu do Cosmonauta, em Moscou. Fonte

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Bárbara Gascó

Olá, terráqueos!

Sou Bárbara Gascó, conhecida também como Barbrão por minha conhecida habilidade em várias esferas, tipo faz-tudo =) e esposa do Sr. Denis Gascó, PaleoNerd.

Sou Arquiteta e Urbanista e atuo na área desde 2012. Paralelamente, escrevo sobre Arquitetura+História e, como única representante do sexo feminino neste navio pirata, pautas acerca de questões sobre Feminismo e Igualdade de gêneros.

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