Ao ódio nosso de cada dia…

Ao ódio nosso de cada dia…

Por Luis Nase

Qualquer pessoa com o mínimo de discernimento – e que procure outras fontes de informação além da Globo – é capaz de enxergar o quanto a cultura do ódio se estabeleceu aqui pelas terras tupiniquins.

Por esses dias deixei de lado o maravilhoso mundo de Fallout 4 e retornei para a triste realidade que é o Brasil. O caso do ator Domingos Montagner – que antes de mais nada era um ator de teatro, e me parece ter tido uma carreira mais brilhante fora do que dentro da televisão – mobilizou muitas pessoas, até mesmo eu que não tinha muito conhecimento de seu trabalho. Mas, junto com as comoções veio o ódio, que estava preso, enrustido, dentro das entranhas.

Percebi que muitas pessoas passaram a desejar a morte de outras, simplesmente por pensarem diferente. Creio que isso é um grave sintoma do quanto nossa sociedade está podre, corrompida por um ódio alimentado pelos grupos sociais que anseiam pelo poder. Um ódio que quando convém, é manipulado e colocado na direção dos devidos interesses.

Perdemos a capacidade de respeitar o “luto”.

Não sei se reparou, mas já virou muito comum o espancamento de homossexuais. Pessoas que são agredidas simplesmente por serem “diferentes”, fora do socialmente “aceitável”. Quem somo nós para julgar o próximo? Acho que a fala de Jesus –  um manifestante que passou por essas bandas há algum tempo atrás – foi algo relacionado a “Aquele que não tiver pecados que atire a primeira pedra”. Onde foi que nos desvirtuamos? Será que foi quando ele foi crucificado?

O rapper Criolo lançou uma versão remasterizada de seu albúm chamado "Ainda há tempo". Um tremendo manifesto que questiona desigualdade social e toda essa cultura do ódio que marca nossa sociedade. Taí um som pra recomendar. Fonte: Brasileiríssimos

O rapper Criolo lançou uma versão remasterizada de seu albúm chamado “Ainda há tempo”. Um tremendo manifesto que questiona desigualdade social e toda essa cultura do ódio que marca nossa sociedade.
Taí um som pra recomendar. Fonte: Brasileiríssimos

 

Oportunistas como Bolsonaros, Felicianos e Malafaias se escondem atrás de uma palavra de amor para manifestar o seu verdadeiro ódio. Verdadeiros parasitas incompetentes, impostores. E com isso alimentam a raiva de uma série de incapazes que andam por aí ostentando cabrestos, apenas esperando para serem direcionados. Esses não querem pensar. Pensar incomoda, a melhor coisa é terceirizar e permitir que outros pensem por você. Ou melhor, é mais fácil ligar na Globo para saber quem é o próximo que eu devo odiar.

Toda a nossa raiva social contra os pobres, contra as cores, partidos e orientações diferentes mostram o quanto estamos doentes, e longe de sermos indivíduos emancipados.

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Em março deste ano, a publicação deste desenho de uma criança levantou diversos debates acerca do discurso de ódio. Algo que foi interrogado pela colunista, Rita Lisauskas, no jornal Estadão. Este tipo de imagem é fundamental para que paremos para refletir sobre o que é que estamos a ensinar para os nosso jovens…. Fonte Jornal GGN

“Indivíduos emancipados na plenitude do conhecimento”, “cidadãos ativos”, acho que isso é algo que tentamos fazer nas escolas, mas infelizmente fracassamos. Ainda mais agora em que a pauta da “Escola Sem Partido” ganha cada vez mais força impulsionada por grandes pedagogos como Alexandre Frota – deu pra perceber a ironia? ¬¬.

Tudo bem que isso ainda não foi efetivado, mas o fato de uma PEC dessa espécie estar circulando – sendo levada em consideração – já demonstra o quanto isso é perigoso. Doutrinação Marxista dentro das escolas? Isso só pode ser o pensamento de quem nunca pisou em uma.

Assim como na sociedade, nas escolas circulam diferentes formas de pensamento. O aluno como indivíduo tem a plena liberdade para escolher a que mais se adapta a ele. É natural, nos aproximarmos daquilo que mais nos causa empatia. Então, fiquem tranquilos. Seus filhos não sairão guerrilheiros comunistas homossexuais das aulas…

 

O rapper Neto, do grupo Síntese, deixa claro um ponto de vista aguçado sobre toda essa insanidade que por nós é manifesta. Fonte: Meon

O rapper Neto do grupo Síntese deixa claro em poucas palavras uma importante reflexão sobre toda essa insanidade que por nós é manifesta. Fonte: Meon

Eles sairão conscientes de que devem lutar pelos seus direitos, assim como indivíduos emancipados. Há algo de errado nisso? Até onde sei, isso não faz de ninguém um comunista.

A verdade é que caminhamos em passos largos em direção ao retrocesso.

O descaso pela educação, assim como o ódio, faz parte de um projeto político.

A nossa querida elite – sim, ela existe – tem sim um projeto político muito sólido. O de nos colocar em nossas senzalas, alimentando nosso ódio para quando for necessário sairmos às ruas ostentando as nossas camisetinhas da CBF. Enquanto indivíduos como o Cunha andam tranquilamente por aí….

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13958021_1092981007462979_8953177828588018681_oSobre o autor:

Luiz Nase (Médio)
Professor de História formado pela Unesp de Assis. Cinéfilo de coração.
Co-fundador do SarjetaCast, podcast voltado para o roleplayng game (RPG).. (http://sarjetarpg.com.br/)
Co-fundador do DonnaRita, blog de artesanato e entretenimento… (http://www.donnarita.com.br/)

 

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PaleoNerd

Me chamo Denis e sou professor de História. Concluí minha Graduação em Licenciatura em História na Universidade Estadual Paulista – UNESP, Câmpus de Assis-SP em 2009. Em 2014 concluí minha Especialização em Educação, Arte e Multimeios pela Unicamp. Atuo na área desde 2010, ministrando aulas para o Ensino Fundamental, Ensino Médio, Cursos Pré-Vestibulares, assim como, palestras e oficinas para jovens e adultos.

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